O presidente ultraconservador da Polônia, Andrzej Duda, se aproximou da reeleição ao vencer o primeiro turno da eleição, com 43,7% dos votos. Em oposição ao candidato do partido Lei e Justiça (PiS) está o prefeito de Varsovia, Rafal Trzaskowski, da Coalizão Cívica (KO), que obteve 30,4% dos votos. O segundo turno da eleição presidencial está marcado para 12 de julho.

Apesar da vitória, as intenções de voto em Duda caíram desde abril, quando as pesquisas mostravam o presidente com 60% dos pontos. “Sua aparição [de Trzaskowski] deixa claro que a oposição pode ganhar eleições. Pela primeira vez desde 2015 o PiS os tomou como uma ameaça potencial”, observa Ben Stanley, professor-associado da Universidade de Ciências Sociais e Humanidades (SWPS) em Varsóvia.

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“Escolhemos entre futuro e passado. Entre a honestidade e os que querem expropriar o Estado. Entre a verdade e os que querem se basear na manipulação. Disso tratam estas eleições. E o mais importante: vocês decidem se teremos um presidente forte que olhará para as autoridades, ou um presidente que infelizmente nem sequer respeita sua assinatura”, afirmou Trzaskowski após saber o resultado.

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Desde que assumiu o cargo em 2015, Duda vem sendo acusado de enfraquecer a democracia polonesa. A Comissão Europeia iniciou quatro procedimentos legais contra o país e um deles, em 2017, chegou a privar a nação de voto dentro da União Europeia. A Polônia também foi retirada pela entidade Freedom House da lista de países com democracias consolidadas.

Outra preocupação com uma possível reeleição de Duda é com a perseguição aos grupos em situação de vulnerabilidade, como os LGBTs, que já vinham sendo atacados e censurados no país, como relatou o youtuber Jakub Kwieciński. Durante a campanha, o presidente já havia se alinhado a figuras conservadoras e endurecido o discurso LGBTfóbico.

A comunidade local ainda precisa enfrentar violentos grupos conservadores que tentam boicotar e apagar as manifestações LGBT+ do país, como o ataque a Parada do Orgulho LGBT+ da Polônia em 2019 e a destruição de uma feira LGBT+ na cidade de Szczecin.

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