A partir do último dia 1ª de Dezembro – exatamente no Dia Mundial de luta contra HIV e AIDS – o SUS começou a disponibilizar a Prep, terapia que já é adotada em países como Suécia, Estados Unidos, Canadá, França e Reino Unido, através da qual pode-se, com medicação diária, prevenir a contaminação pelo vírus do HIV.

A princípio, a medida estará disponível em 12 cidades brasileiras na rede pública de saúde – SUS. A intenção é que a distribuição comece com testes em grandes centros urbanos, mas aumente e passe a atingir todo território do país gradativamente em um futuro próximo.

Fazem parte do primeiro passo do programa as cidades de Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, São Paulo, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Fortaleza, Brasília e Manaus.

Inicialmente, a distribuição será focada em segmentos da população que apresentem maior risco de aquisição do HIV estatisticamente, como gays, bissexuais, casais sorodiferentes e transgêneros.

No Brasil, há 830 mil pessoas vivendo com a infecção. A estimativa é que tenham ocorrido 48 mil novos casos em 2016. Com a nova maneira de prevenção, é provável que o número se reduza ano a ano, como já acontece no Reino Unido por exemplo, que teve queda de 20% dos novos casos de HIV no último ano principalmente pelo uso da Prep.

Mas como funciona a Prep? É relativamente simples e bem seguro. Pessoas não infectadas devem tomar diariamente um único comprimido que reduz o risco de contaminação pelo HIV. O medicamento bloqueia o ciclo da multiplicação desse vírus, impedindo a infecção do organismo. Se já está sendo administrado quando a pessoa for infectada, impede a multiplicação no corpo, bloqueando o vírus no corpo em sua origem.

Durante a terapia, é necessário acompanhamento médico por conta de possíveis efeitos colaterais que acontecem em alguns pacientes. Podem acontecer enjôos e dores de cabeça a perda de peso, ainda que a medicação, cada vez mais moderna, apresente cada vez menos efeitos colaterais.

Dos mais de 150.000 casos de administração da Prep, houve apenas 3 registros de aquisição do vírus no mundo, em casos raros de mutação do vírus que se tornou mais forte que a medicação. A notícia assusta a princípio, mas estatisticamente, é menos de 0,02% dos casos, ou seja, uma proteção que estatisticamente é maior que a oferecida até pela camisinha, que garante 99% de chance de evitar o contágio our ISTs, e neste caso também, gravidez indesejada.

Além do SUS, o medicamento deve ser comercializado na rede privada, com a exigência de apresentação de receita médica. Um frasco com 30 comprimidos vai custar R$ 290.

Outra maneira de prevenção do HIV caso você tenha tido uma relação de risco é a PEP que deve ser rapidamente administrada até 72 horas após a possível exposição ao vírus no corpo. Conheça mais no vídeo abaixo:

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).