O atual prefeito de São Paulo, Bruno Covas, vem dando um close errado atrás de outro com o Movimento LGBT da cidade, simplesmente realizando nomeações políticas aleatórias e sem sentido e ignorando avisos e pedidos de ativistas e ONGs que realmente entendem da causa. Vamos explicar do começo pra que você entenda o que está rolando:

Diversas ONGs e Coletivos LGBTs da cidade de São Paulo receberam com relativo otimismo alguns meses atrás a vinda do prefeito Bruno Covas ao comando da Prefeitura de São Paulo, que se deu com a saída de Dória que decidiu disputar o governo do Estado nestas eleições.

Principalmente por acreditar que a proximidade de Bruno com a juventude de seu partido PSDB – que tem uma considerável frente de apoio a diversidade – poderia ajudar nas políticas públicas relativas a comunidade LGBT na cidade de São Paulo. Seríamos ouvidos, haveria abertura e diálogo. Era o que a gente acreditava.

Pois tudo parece ter sido um grande engano. A primeira bola fora do governo veio antes da posse de Bruno, ainda com o prefeito Dória, nomeando Ivan Batista para a Coordenação de Políticas LGBT, uma indicação sem qualquer sentido senão uma mera troca de favores políticos, colocando em uma área tão específica e que necessita de ajuda especializada, alguém que jamais esteve próximo da causa ou mesmo tem conhecimento de causa sobre a comunidade LGBT.

Ex-coordenador LGBT Ivan Batista e o atual Marcos Freitas, que prefeito Bruno Covas se recusa a oficializar nomeação.

Passaram-se alguns meses e a situação, como já previa a militância e ONGs LGBT, não se sustentou. Sendo assim, atendendo muitos pedidos, a secretária de Direitos Humanos, Dra. Eloísa Arruda, realizou a necessária troca na Coordenação de Políticas LGBT, tirando Ivan Batista e colocando Marcos Freitas. Até aí legal, né? Já que a indicação do prefeito foi um close bem errado, e como a gente já sabia, não ajudou em nada.

Acontece que a oficialização de Marcos Freitas no Cargo precisa da oficialização do prefeito Bruno Covas, publicando a nomeação do novo coordenador no Diário Oficial. E cadê que ele se manifesta?

Além de tudo, segundo informou a organização do movimento, Ivan foi afrontoso e se recusou a deixar o cargo, afirmando ao movimento que o prefeito não assinará a nomeação de Marcos, fingindo que não foi trocado pela Secretária de Direitos Humanos. O circo pega fogo e o prefeito Bruno Covas continua fazendo a Egípcia e simplesmente ignorando o Movimento LGBT.

Mais uma vez, pra variar, vemos LGBTs sendo tratados apenas como troca de favor político, moedas de troca que são úteis em dia de Parada LGBT e Eleição pra pedir voto, mas na prática são muitas vezes ignorados pelo poder público.

Ativistas do Movimento LGBT com a Doutora Eloísa Arruda Secretária de Direitos Humanos.

“Já protocolamos pedido de reunião com o Prefeito e até agora não fomos ouvidos! Isso já tem quase 1 mês!”, manifestou o Movimento Social Organizado LGBT.

Eles também publicaram uma carta aberta manifestando sobre a situação. Confira abaixo:

“Nós, do Movimento Social Organizado, viemos a público manifestar nosso apoio pela escolha do ativista Marcos Freitas como Coordenador de Políticas LGBTI, da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania e também manifestar a nossa indignação com o machismo e a falta de respeito contra uma autoridade constituída por uma mulher, Dra. Eloísa Arruda, sendo atropelada em detrimento de um grupo minoritário e sem representatividade no movimento social.

Também repudiamos a forma na qual fomos ignorados pelo Sr. Prefeito Bruno Covas, não dando devolutiva ao nosso pedido, enviado para o e-mail pessoal e institucional do Sr. Prefeito, comunicação que também foi enviada por aplicativo de mensagem e protocolada na Prefeitura de São Paulo.

Somos contrários ao retorno do antigo coordenador, por acreditarmos que é primordial que os diálogos entre a Coordenação e a sociedade civil sejam constantes e, infelizmente, nos dois anos anteriores essa comunicação foi prejudicada em diversos momentos em razão da ingerência por parte do órgão público municipal durante processos de construção coletiva que caberiam à sociedade civil definir e não à Coordenadoria.

Acreditamos que a escolha do novo coordenador é assertiva por ser um nome que não atua apenas nas esferas partidárias, mas também no Movimento Social. O novo coordenador passou pelo Conselho Estadual dos Direitos da População LGBT, sendo o segundo mais votado do Estado e construiu uma militância suprapartidária em diversos espaços coletivos do Movimento LGBT.

As entidades e coletivos suprapartidários e apartidários que assinam conjuntamente esta carta, solicitam ao Prefeito Bruno Covas uma audiência para tratarmos de pautas coletivas do Movimento e assim inaugurarmos um período de diálogos permanentes e não autoritários com a Prefeitura de São Paulo.

ABRAFH – Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas
Associação Mães pela Diversidade
APOGLBT SP – Associação da Parada do Orgulho LGBT
Clovis Casemiro – Coordenador da Associação Internacional de Turismo LGBT – IGLTA
Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência
Consulado das Famílias
Diversa Cultura e Arte – DAC
Família Braction
Família d’ Matthah
Família Durell SP
Família Mad Queen
Família Mó chavão
Família Smorffets
Família Stronger
GADVS – Grupo de Advogados pela Diversidade Sexual e de Gênero
GAMES (Government Affairs, Media, Entrepreneurs & Supporters)
Grupo Pela Vidda São Paulo
Heitor Werneck
IBRAT – Instituto Brasileiro de Transmasculinidades
Instituto Omindaré
Ivone de Oliveira – Blog Gata de Rodas
ONG Banda do Fuxico
Matheus – Portal Menino Gay
Pedra no Sapato
Salete Campari”

Assista também:

Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).