Em 2016, Ricardo Nunes, o atual candidato a vice-prefeito pela cidade de São Paulo na chapa com o candidato a reeleição Bruno Covas (PSDB), tentou impedir uma escola pública em Vila Gomes, zona oeste de São Paulo, de celebrar a “Semana do Gênero”.

O programa visava estimar debates entre alunos sobre questões de machismo, violência contra as mulheres e desigualdade entre os gêneros, dentre outros temas. Na época, a diretora da escola, Ana Elisa Siqueira, que dirigia a instituição há 21 anos, recebeu um ofício assinado pelo atual vice de Bruno Covas questionando a realização do evento e tentando proibí-lo de acontecer.

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Sem entender com qual intuito um vereador se metia nisso – o que seria no mínimo papel da secretaria de educação – a diretora manteve a programação mesmo assim.

O fundamentalista religioso Ricardo Nunes, vice de Bruno Covas à prefeitura de São Paulo. (Foto: Reprodução / Veja )
O fundamentalista religioso Ricardo Nunes, vice de Bruno Covas à prefeitura de São Paulo. (Foto: Reprodução / Veja )

“A questão de gênero tem que ser discutida, ainda mais dentro da escola e entre os jovens que têm muitos questionamentos sobre as posições de homens e mulheres na sociedade, machismo, a cultura do estupro. É maravilhoso que uma escola discuta isso”, afirma a obstetriz Lucila Pougy ao El País. Ela é mãe de dois alunos da escola, um do sexto (11 anos) e outro do segundo ano (7) do ensino fundamental. Ela, inclusive, foi uma das palestrantes. Falou para alunos do quinto ano (cerca de 10 anos de idade), sobre parto. “Falamos de embriologia, diferenças entre parto normal e cesárea. Eles ficaram curiosos, perguntaram sobre parto dos animais, nascimento de gêmeos, se dói ter um filho”, conta.

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Fundamentalista religioso e extremamente ignorante em questões de diversidade e gênero, Ricardo Nunes tem pavor de ouvir a palavra “gênero” e não entende a importância de se discutir isso na escola, não apenas para garantir maior segurança e respeito aos alunos LGBTs, mas todos em geral.

Em 2015, o vice de Covas foi um dos nomes responsáveis para que se retirasse a palavra gênero do ensino.

Como disse a reportagem do El País sobre Ricardo Nunes: Os que odeiam a palavra afirmam que querem evitar a inclusão nas escolas do que chamam de “ideologia de gênero”. Referem-se – ignorantemente – a uma corrente que pressupõe que cada indivíduo tem o direito de escolher o próprio gênero, sem ser definido, necessariamente, pelo sexo biológico.

No entanto, para os críticos desse lobby com apoio ativo de líderes religiosos banir a palavra traz um retrocesso para os direitos humanos, já que ela é importante para dar visibilidade para a discriminação sofrida por mulheres e pela população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transgêneros). Eles também dizem que evitar as discussões de gênero nos ambientes escolares é especialmente problemático em uma sociedade machista como a brasileira, onde mulheres ainda sofrem estupros coletivos.

Aqui no Põe Na Roda, já expusemos em uma matéria a ameaça que representa uma possível reeleição de Bruno Covas com Ricardo Nunes como vice.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).