Em 3 de março, a embaixada britânica no Iraque twittou em homenagem ao IraQueer , uma organização de defesa que está “liderando o primeiro movimento LGBT+ do Iraque”.

“Reconhecemos o trabalho significativo que o IraQueer fez para promover os direitos dos homossexuais”, dizia o tweet. “Os congratulamos  pelo recente reconhecimento do governo iraquiano acerca dos direito das pessoas a viver, independentemente de sua orientação sexual. Viva e deixe os outros viverem”, escreveu a embaixada.

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A homossexualidade não é ilegal no Iraque, mas a discriminação é generalizada e as pessoas LGBT+  são freqüentemente vítimas de discriminação e “assassinatos de honra”.

O tweet foi excluído, mas provocou polêmica entre os conservadores iraquianos, já que foi lançado em meio a uma campanha para desacreditar manifestantes antigovernamentais, de acordo com o Instituto de Pesquisa em Mídia do Oriente Médio (MEMRI).

A publicação ainda chamou a atenção do clérigo xiita radical Jawad Al-Khalisi, que lançou um furioso discurso homofóbico contra a embaixada.

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Ele instou clérigos e intelectuais a condenarem “o comportamento das embaixadas pecaminosas britânicas e americanas por glorificar o pecado” e pediu a imediata expulsão dos embaixadores do Iraque, descrevendo-os como “agressores” e afirmando que promovem “obscenidade e homossexualidade”.

Al-Khalisi negou que o governo iraquiano reconhecesse os direitos dos homossexuais, dizendo que as duas embaixadas “violaram a soberania do Iraque” quando tentaram atribuir essa “ofensa” ao governo.

O MEMRI observou que o governo iraquiano não negou ou confirmou se reconhece os direitos da comunidade LGBT+.

No entanto, vários usuários iraquianos do Twitter compartilharam um relatório que o Iraque enviou à ONU indicando que “a lei iraquiana não possui disposições que discriminem pessoas de qualquer categoria específica com base na orientação sexual ou de gênero, e não sanciona nem aprova qualquer tipo de violência contra elas”.

O relatório afirma ainda que a lei interna iraquiana realmente protege “os direitos e liberdades de todas as pessoas, incluindo o direito à vida e à integridade física”.

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Stephen Hickey, embaixador britânico no Iraque, não respondeu a nenhuma das críticas no Twitter e não fez nenhuma indicação de que planeja deixar o país em meio às crescentes tensões.

Matéria traduzida do site PinkNews.