Esse mundo é redondo e ele dá voltas, não é mesmo?

O vereador de São Paulo Fernando Holiday (DEM), que já afirmou em entrevistas antigas que, embora seja negro e gay (ainda que ele diga que não faz sexo gay pois isso sim seria pecado), é contra Direitos LGBTs e contra direitos negros como cotas, por exemplo, agora está alegando ter sido vítima de homofobia na Câmara Municipal de São Paulo.

O parlamentar diz ter sofrido homofobia e racismo por parte do vereador Camilo Cristófaro (PSB). A confusão começou por conta de uma entrevista de Fernando Holiday no programa de Danilo Gentili do SBT na semana passada. Na ocasião, Holiday afirmou que grande parte dos vereadores de São Paulo não trabalhavam.

A fala enfureceu muitos vereadores que foram falar publicamente na tribuna contra ele nos dias seguintes. Um deles era o vereador Camilo Cristófaro, que afirmou: “Gostaria de falar que lamentavelmente, o senhor Fernando Holiday usa das redes sociais sendo o grande macaca de auditório dando risada desta Casa, explodindo as redes sociais porque a população adora ver sangue, maldade, mentira e fake news”.

Holiday agora alega racismo por ter sido chamado de macaco, e homofobia por ter sido no feminino, ainda que “macaco de auditório” seja uma expressão que sempre quis dizer “alguém que está na plateia querendo aparecer” sem uma conotação racista.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

De qualquer forma, sejamos justos aqui. Se Holiday acha que o vereador Camilo foi homofóbico e racista, se aproveitando do termo (e da comparação de negro a um macaco) e ainda colocando a palavra no gênero feminino, é verdade que ele tem todo direito de reclamar e buscar seus direitos e possíveis indenizações. 

O curioso é logo ele, que sempre falou que Direitos LGBTs e Direitos da população negra eram mimimi, que não eram necessários afinal “somos todos iguais (rs), agora querer vir clamar direitos sobre uma provocação que só quem é negro e LGBT sofre. Caso recorra legalmente sobre a fala do deputado, Holiday estará indo contra sua própria palavra. Se ele acha que não precisa de leis para LGBTs, como ele agora vai recorrer alegando LGBTfobia?

“Não deve haver política separada para negros e LGBTs”, dizia Fernando Holiday em entrevista à Folha de SP em 2017… Em outro vídeo antigo, Holiday dizia ser contra o “Dia da Consciência Negra”, afinal não deveria existir “Dia da Consciência Branca”.

Uma pausa aqui pra respirarmos e lamentarmos a total falta de noção histórica, noção e estudo do vereador quanto a todas estas questões.

Mas que ao menos agora sirva a lição para que ele reveja seus equivocados conceitos! Enquanto isso, a galera que sempre esteve ao seu lado politicamente, deve no mínimo estar achando tudo muito “mimimi” da sua parte, não é mesmo?

Em resposta, o vereador Camilo afirmou não ter sido racista: “Não venha me chamar de vagabundo! Pra mim, ele é macaca de auditório do Chacrinha, que só quer aparecer. Racista? Ele diz isso pra aparecer! Tenho branco, preto, índio, japonês no meu gabinete. Isso é conversa pra boi dormir”.

Vale lembrar entretanto que esta não é a primeira acusação de LGBTfobia sobre Camilo Cristófaro. Em março de 2017, a hoje vereadora e então deputada estadual Isa Penna (PSOL), que é bissexual, o acusou de tê-la empurrado e xingado de termos como “vagabunda”, “terrorista”, e “cocô de galinha”, além de ter insinuado ameaças ao dizer que Isa não deveria se surpreender se “tomasse uns tapas na cara”.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).