A Nova Zelândia agora tem o parlamento com maior diversidade de gênero e orientação sexual do mundo, com 10% dos parlamentares eleitos do país se identificando abertamente como LGBTs.

A notícia vem logo após a vitória esmagadora da primeira-ministra Jacinda Arden no sábado (18 de outubro). Em apoio a ela, são 12 políticos eleitos que são abertamente lésbicas, gays, bissexuais e/ou transgêneros, ocupando um décimo dos 120 assentos do parlamento do país.

Jacinda Arden, eleita primeira-ministra da Nova Zelândia com esmagadora maioria dos votos. (Foto: Reprodução / Instagram)
Jacinda Arden, nova primeira-ministra da Nova Zelândia. (Foto: Reprodução / Instagram)

Isso significa que a Nova Zelândia terá a maior proporção de representantes LGBT + do mundo. Em números gerais entretanto, o Reino Unido tem o maior número de representantes LGBTs, com 45 em 650 cadeiras, representando 7% de representação.

“Os números são importantes”, disse a parlamentar lésbica, Louisa Wall, à AAP antes da eleição. “Se acabarmos sendo o parlamento mais representativo LGBTQI do mundo, isso seria simplesmente ótimo. ”

Ao lado de Wall, outros parlamentares LGBTs do Partido Trabalhista da Nova Zelândia são Grant Robertson, Meka Whaitiri, Tamati Coffey, Kiri Allan, Ayesha Verrall, Glen Bennett e Shanan Halbert.

Embora a primeira-ministra Jacinda Ardern tenha conquistado cadeiras suficientes para formar um governo com ampla maioria no Congresso, ela deve fazer uma coalizão com os Verdes, que também estão comemorando a eleição de seus parlamentares abertamente LGBTs: Jan Logie, Chloe Swarbrick, Elizabeth Kerekere e Ricardo Menendez March.

Novo parlamento da Nova Zelândia tem 12 LGBTs eleitos (Foto: Montagem / Põe Na Roda)
Novo parlamento da Nova Zelândia tem 12 LGBTs eleitos (Foto: Montagem / Põe Na Roda)

A representação LGBT + no novo parlamento será proporcional à da população em geral pelos números do Relatório Kinsey, mas significativamente maior do que a pesquisa social geral da Nova Zelândia em 2018, que foi de 3,5% de habitantes LGBTs no país.

Paul Spoonley, professor da Faculdade de Humanidades e Ciências Sociais da Universidade Massey em Palmerston North, disse ao The Independent que o novo parlamento representa uma importante mudança geracional.

Um dos LGBTs eleitos na Nova Zelândia: Grant Robertson e seu marido. (Foto:KEVIN STENT/FAIRFAX NZ)
Um dos LGBTs eleitos na Nova Zelândia: Grant Robertson e seu marido. (Foto:KEVIN STENT/FAIRFAX NZ)

“Vários parlamentares de longa data – mais velhos, brancos, homens – partiram, mas foram substituídos por um novo grupo muito mais diverso, não apenas quanto a orientação sexual e identidade de gênero, mas também etnias”.

Vale lembrar também que metade dos eleitos pelo Partido Trabalhista no país são mulheres. “O Partido Trabalhista e os Verdes representam a face contemporânea da Nova Zelândia no parlamento”, concluiu Paul Spoonley.

Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).