Não é preciso ser LGBT para lutar contra a LGBTfobia. Existem exemplos de heterossexuais cisgêneros na sociedade que são exemplo disso: Paola Carosella que dá cursos gratuitos profissionalizantes para população trans, Whindersson Nunes, Felipe Neto, dentre muitos outros famosos que mesmo entre erros e acertos (o que é humano e natural a todos nós), usam seus privilégios também para lutar por um mundo mais justo para todos.

Pois bem. Sabendo a violência e baixíssima expectativa de vida (35 anos contra 75 do restante da população) às quais estão submetidas as mulheres trans e travestis que nascem e literalmente sobrevivem no Brasil, surpreendeu a PL 113/2019 – ou Dossiê Mulher – que vem sendo discutida na Assembleia Legislativa de São Paulo, ter excluído completamente a questão das mulheres trans e travestis, sem qualquer política específica para elas.

Agora, o projeto aprovado por 55 votos a 12, de autoria de Isa Penna, do PSOL, tem como objetivo a elaboração de estatísticas sobre mulheres vítimas de violência acolhidas por políticas públicas do Estado, visando entender o cenário de violência para que haja o combate eficaz em diversas esferas.

Justamente indignada com a situação, a deputada estadual de SP, Erica Malunguinho (PSOL) foi à tribuna criticar o projeto claramente incompleto.

“A transfobia foi endossada nessa plenária porque tira mulheres trans do dossiê que avalia a violência contra mulheres. Excluíram as mulheres trans e travestis. Isso significa que as mulheres trans e travestis podem morrer, segundo essas pessoas”, disse ela.

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Em seguida, Erica lembrou da violência maior à qual a população LGBT em geral está submetida:  “Assim como nós entendemos que há uma violência contra mulheres cisgêneras, que é necessário falar e discutir, que também aprendamos sobre a violência contra a população LGBT, porque isso também acontece. Espero que daqui algum tempo essa ficha caia e a gente não retome discursos que mais parecem defesa da escravidão do século 19”.

Conforme noticiou o portal NLuccon, Erica alertou que a dificuldade de se incluir a população de mulheres trans dentro do dossiê que trata de violência contra a mulher se dá justamente pela transfobia naturalizada nos discursos e institucionalizada.

Sensata, Erica cobrou dos políticos que se dizem apoiadores da justiça e da igualdade nos bastidores, sempre a tratando com respeito, que saiam do armário para defender os direitos LGBTs, independente de serem ou não: “Está na hora de tais políticos assumirem publicamente que são contrários à paula LGBT e a população LGBT. Precisa assumir a posição ao invés de ficar escamoteando esse discurso repressor com respeito”.

Vale lembrar que o Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais do mundo segundo dados da Transgender Europe. E mesmo com estes dados alarmantes, o poder público pouco se motiva a criar políticas que defendam esta parcela tão vulnerável da população.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).