Enquanto esteve a frente da Prefeitura de São Paulo, o presidenciável Fernando Haddad criou, em 2015, o Transcidadania. Se trata de um programa cujo objetivo é promover os direitos humanos e oferecer melhores condições de vida a uma parcela tão marginalizada da sociedade como são as travestis e transexuais.

Devido ao preconceito que sofrem desde a infância, a evasão escolar entre pessoas trans é altíssima, fazendo com que o futuro de muitas – devido ao preconceito na empregabilidade aliado a falta de formação – se limite a marginalidade e prostituição, muitas vezes até restando a rua como moradia.

O então prefeito Fernando Haddad entregando diploma a 1ª turma de formandos do programa que concedia bolsas de estudo e transferência de renda à população trans.Criado em 2016, o Transcidadania ajudou a mudar a realidade de muitas destas pessoas, levando renda, educação, capacitação e garantia de direitos a quem vive de maneira tão vulnerável, através de bolsas de estudo e programas de transferência de renda.

“Antes vivíamos jogadas pelos cantos, à margem do esquecimento, agora não mais. Esse período no Transcidadania nos dá a injeção de ânimo de prosseguir à frente, com a certeza de que portas se abrirão e tudo será mais fácil.”, disse, emocionada, Amanda Lisboa, beneficiária do programa na entrega de diplomas dos formandos da 2ª turma do programa.

Com o Transcidadania, várias beneficiárias formadas do ensino médio prestaram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e, pelas notas, possuem condições de entrar em uma universidade. Uma delas foi Paloma Castro: “A minha vida mudou completamente depois do programa. Ele me fez recuperar meus valores como pessoa, meu caráter, minha dignidade, e hoje eu posso sonhar com um futuro melhor para a minha vida pelos meus estudos, e não em um mundo de prostituição”, disse ela.

Mais alguns depoimentos de vidas transformadas com o programa social voltado a população trans podem ser vistos no vídeo abaixo:

Na mesma cerimônia, na época, Haddad lembrou que passou a infância no bairro Planalto Paulista, onde a Avenida Indianópolis é, desde aquele tempo até os dias de hoje, um movimentado ponto de prostituição de travestis.

O prefeito disse que as cenas da prostituição marcaram sua infância, mas ainda mais as imagens das poças de sangue na calçada após a ocorrência de assassinatos e agressões.

“Às vezes tinha uma bolsa ou um sapato de salto ao lado da poça, cenas dramáticas para uma criança”, afirmou. “Às vezes também era ovo ou farinha que humilhavam os travestis, além das balas da morte.”

Segundo Haddad, é papel do Estado ser pró-ativo no combate a intolerância, indo além do respeito à diversidade.

Fazendo uma comparação ao ataque que sofreu em 2011 quando foi ministro da Educação e tentou distribuir nas escolas material didático contra a discriminação sexual (o “kit anti-homofobia” erroneamente conhecido como “kit-gay”), o prefeito ponderou que, ao menos o Transcidadania não foi alvo de disputa: “Ninguém teve coragem de falar do programa. Isso significa que vocês são responsáveis por uma mudança de patamar na cidade”, disse, afirmando que inclusive seus opositores trataram o Transcidadania de modo diferenciado. “Eles se calaram. O programa é um marco na cidade e não vamos admitir retrocessos.”

Vale lembrar que durante a gestão seguinte da prefeitura de São Paulo, com João Dória e então Bruno Covas, ainda que com boatos de que seria extinto, o programa Transcidadania criado por Haddad acabou sendo mantido.

Conheça mais sobre o projeto no site da prefeitura de São Paulo.

 

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).