Enquanto a mídia e a população mais se preocupam com as pesquisas de intenção de voto para o primeiro turno das eleições presidenciais, é no segundo turno que, ao que tudo indica, o jogo deve virar para um dos candidatos.

Embora tenha um eleitorado estabilizado (ainda que aparentemente já estagnado) e que lhe garantiria vitória no primeiro turno das eleições presidenciais segundo a nova pesquisa Datafolha, o deputado réu por crime de racismo, Jair Bolsonaro, perderia a eleição no segundo em todas as simulações possíveis, desconsiderando apenas a candidatura ainda indefinida do PT no cenário em que Fernando Haddad fosse para o 2º turno. E caso ainda este não herde mais votos de Lula, o que é bastante improvável caso Haddad consiga ultrapassar todos os candidatos a sua frente e chegar ao sonhado segundo turno.

A reviravolta para o segundo turno, dando a derrota a Bolsonaro, tem uma explicação simples: Embora líder dentre todos os candidatos do primeiro turno, ele também é líder em rejeição entre todos os outros eleitores que não votam nele. Sendo assim, sobrando apenas dois candidatos no segundo turno, a tendência é que a maioria da população então vote contra o deputado acusado de empregar funcionário fantasma.

Aliado a isso, embora favorito do primeiro turno, Bolsonaro parece ter seu eleitorado e potencial estagnado. Já há muitas pesquisas que sua curva de intenção de votos não cresce, o que não se pode dizer de sua rejeição, principalmente entre o eleitorado feminino.

Difícil apontar um único motivo pra isso, mas talvez se dê pela total falta de explicações, propostas e respostas coerentes nos debates onde tem sido exposto seu despreparo para lidar com questões fundamentais do país, como emprego, economia (que ele mesmo diz não entender), saúde (mandar grávidas do SUS pro dentista, jura?) e educação (contra cotas e propondo a extinção do Ministério da Educação). Isso sem falar em segurança quando seu grande chamariz pra resolver a questão é a ideia polêmica, questionável e perigosa de armar a população brasileira, que já tem índices de homicídio alarmantes mesmo com o porte de armas sendo de mais difícil acesso.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

De acordo com a última pesquisa Datafolha, 39% dos eleitores dizem que não votariam em Bolsonaro de jeito nenhum. Líder em rejeição, ele é seguido do ex-presidente Lula com 34% de pessoas que dizem que jamais votariam nele, Geraldo Alckmin com 26%, Marina Silva com 25%, Ciro Gomes com 23% e por aí vai conforme você pode ver no gráfico abaixo feito pela reportagem da Folha:

Já em todas as simulações de segundo turno, a única onde Bolsonaro ainda consegue se manter em primeiro lugar seria contra o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT).

Mas como o quadro do PT ainda é indefinido sobre Lula ou Haddad, e considerando a possível transferência de mais votos de Lula para Haddad caso este seja realmente o titular da chapa e chegue ao segundo turno (teria que conquistar muitos novos eleitores pra isso!), pode-se apostar, que praticamente em qualquer cenário, Bolsonaro teria um segundo turno no mínimo dificílimo, e de acordo com as previsões das pesquisas de intenção de voto, perderia as eleições.

Claro que ainda é cedo para estabelecer a vitória, e como diz o ditado, o jogo só acaba quando termina. Mas nas conjunturas atuais, e segundo a pesquisa Datafolha mais recente, em um segundo turno contra Bolsonaro, Lula venceria a eleição com 53% a 32% dos votos válidos. Já de Marina Silva, Bolsonaro perderia de 34% a 45% enquanto de Alckmin, Bolsonaro perderia de 33% a 38% e de Ciro perderia de 35% contra 38% dos votos.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).