Depois de anunciar que vai acabar “com o cocô no Brasi”, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (15), durante sua live semanal, que a Ancine não irá liberar verbas para alguns filmes que tentaram captar recursos públicos.

Ele citou filmes com temáticas de LGBT e racismo para dizer que as obras “não têm cabimento” e não devem receber recursos da Agência Nacional do Cinema. Essa é mais uma das atitudes absurdas desse (des)governo que desde o seu inicio tem perseguido a comunidade LGBT.

Bolsonaro disse também que, se pudesse, “degolaria as cabeças” da diretoria da Ancine. Sua ação está restrita nesse sentido porque os cargos são definidos em mandatos com duração de quatro anos.

Ele lembrou das críticas que fez semanas atrás ao filme sobre Bruna Surfistinha, que recebeu recursos através da Ancine. “Quem quiser pagar… a iniciativa privada, fique à vontade. Não vamos interferir nada. Mas fomos garimpar na Ancine filmes que estavam prontos para ser captados recursos no mercado. Olha o nome de alguns! O nome e o tema”, anunciou Bolsonaro, antes de começar a listar filmes de temática LGBT que não receberam apoio da Ancine.

“Um filme chama ‘Transversais’. Olha o tema: ‘Sonhos e realizações de cinco pessoas transgêneros que moram no Ceará. Conseguimos abortar essa missão.”Outro filme com esse tema: ‘Afronte’. ‘Mostrando a realidade vivida por negros, homossexuais no Distrito Federal.’ Não entendi nada, confesso. A vida particular de quem quer que seja, ninguém tem nada a ver com isso, mas fazer um filme sobre negros homossexuais no DF, confesso que não dá pra entender. Mais um filme que foi pro saco”, disse Bolsonaro.

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Em seguida, ele atacou a Ancine e disse que se a agência não tivesse “sua cabeça toda por mandato, já tinha degolado todo mundo”.

Depois de falar absurdos sobre outros filmes LGBT, por último, ele criticou uma obra chamada “Religare Queer”. “O filme é sobre uma ex-freira lésbica!” – falou Bolsonaro, enfatizando o termo – “e daí são dez episódios. Tem a ver com ‘religiões tradicionalmente homofóbicas e transfóbicas’. Tudo tem a ver… sexualidade LGBT com evangélicos, católicos, espíritas, testemunhas de Jeová, umbanda, budismo, candomblé, judaísmo, islamismo e Santo Daime”, disse ele, aparentemente lendo os temas abordados na obra. Ele disse novamente que essas obras não têm bilheteria. “É dinheiro jogado fora, além de divulgar… isso realmente não tem cabimento”.

Na live, Bolsonaro teve a presença do empresário e ex-lutador de jiu-jitsu Renzo Gracie, que alternou comentários como “provavelmente só metade (dos recursos captados) é gasta” nos filmes e que eles “influenciam negativamente toda uma cultura”. Ele também disse que se mudou do Brasil porque estava com medo que, “se aquele governo continuasse, isso aí seria obrigatório”, fazendo alusão à temática LGBT das obras. O presidente riu do comentário.