Pessoas trans e não binárias estão vendo as cirurgias de saúde canceladas diante o preparo dos hospitais ao coronavírus.

Consideradas “não essenciais” pela maioria dos profissionais de saúde, para pessoas trans, essas cirurgias podem reduzir a não identificação com o gênero e melhorar a qualidade de vida.

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Abigail, uma mulher trans no País de Gales, disse à Vice : “Os tempos de espera são [extremamente longos] e ninguém sabe quando as coisas voltarão ao normal”.

“Nenhum de nós está bravo com a equipe médica, ou mesmo com as decisões, mas com o sistema – que é tão carente de resiliência e nos decepciona com tanta regularidade “, acrescenta.

No Reino Unido, a espera média de uma consulta com um especialista em gênero é de dois anos, e são necessárias várias consultas, geralmente com intervalos de meses ou anos, para chegar a um ponto em que é oferecida assistência médica afirmativa.

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Abigail passou por uma cirurgia na semana passada, e agora o acompanhamento pode estar em risco por causa do coronavírus. “É uma atmosfera estranha. A enfermaria está meio vazia. [As enfermeiras] sabem que não haverá outros pacientes como eu por um tempo nem outros pacientes submetidos a cirurgias [não urgentes] ”, disse ela.

Violet Jones, professora assistente e mulher trans de 29 anos em Nova York, tem uma cirurgia agendada para maio que ainda não foi cancelada. No entanto, o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, assinou uma ordem executiva adiando todas as cirurgias não emergenciais pelas próximas semanas.

“Uma mudança na data alteraria radicalmente meus planos e a segurança geral em torno do procedimento. A cirurgia estava programada para permitir a recuperação durante os meses de verão da [minha escola] sem uma diferença de salário ”, disse Jones em entrevista à Vice.

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“Passei a vida inteira lutando enquanto implorava a qualquer ser onipotente para que me deixasse acordar no corpo, preciso me sentir confortável e, [em maio], isso finalmente iria acontecer”, relata Jones.

Ela acrescenta que “perder essa segurança realmente prejudica minha saúde mental e faz parecer que nunca poderia realmente acontecer”.

Apesar desse estresse, Jones está tentando focar em manter as forças e entende o vasto impacto do COVID-19 na saúde pública de todos: “sei que isso está fora de minhas mãos e que se/quando for tomada a decisão de cancelar ou reagendar a cirurgia, será para o bem maior daqueles que precisam de instalações”.

Matéria feita com informações da Vice.

Foto: Divulgação/Vice