A PrEP é pra todo mundo que tem vida. Especialmente as vidas dissidentes que não têm acesso a tratamentos de rotina, a planos de saúde, educação sobre sexo e, muitas vezes a preservativos como forma de prevenção, dada a dificuldade de acesso a postos de saúde e a escassez de campanhas de conscientização sobre ISTs.

Mas há um problema maior que assombra o uso da PrEP, que é o preconceito. Começamos destacando que quando a doença é relacionada a sexo, todas as questões moralistas vêm à tona: “porque não se preveniu, a culpa é sua, é promíscuo…” é o moralismo cristão matando muito mais que o HIV.

Homens gays que demonizam uma forma de prevenção de uma doença que causou uma das mais devastadoras epidemias da história só podem ser movidos pela ignorância e preconceito. Ignorância esta advinda da reprodução de discurso cis-heterocentrado, que acredita que heterossexuais não contraem HIV, e assim, agregamos o discurso para nossas vidas em outras camadas.

A PrEP foi pensada não apenas para prevenir a infecção, mas para oportunizar exames de IST rotineiros a grupos que não realizam esses exames por um sem fim de motivos. Nunca foi ofertada como medida única, mas como prevenção combinada e, sobretudo, compreende as pessoas que não usam ou não conseguem usar camisinha.

Sim, há pessoas que não usam e isso é um fato que não pode ser tomado como “não usa porque não quer, porque é irresponsável”, mas como “quais razões o impedem de usar o preservativo”. Discutir essas opções é muito mais salutar que acusar e demonizar pessoas que fazem sexo sem camisinha, porque elas vão fazer e nosso preconceito e julgamento não vai mudar esse paradigma.

A PrEP salva vidas

Todas as pesquisas indicam diminuição dos casos de HIV nas maiores capitais do mundo e ainda, diminuição no número de infectados por sífilis, visto que o uso continuado da PrEP requer exames periódicos e consecutivo tratamento em caso de acusar positivo.

É tão óbvio que essa seja, atualmente, a única possibilidade real de dizimar a epidemia e elencar os “problemas” causados pela PrEP é fomentar de forma irresponsável a ignorância de pessoas que poderiam ter suas vidas protegidas. Parem de demonizar e debochar de quem usa o comprimido azul, porque ele pode sim, ser o responsável por uma geração futura sem HIV.