O Papa Francisco se reuniu com 40 pais de crianças LGBT+ na quarta-feira (17 de setembro) para ouvir suas preocupações sobre o desrespeito da Igreja por suas famílias. Os pais, todos associados à organização de pais LGBT+ Católicos Tenda di Gionata, contaram ao Papa sobre o clima frio que seus filhos LGBT+ enfrentaram na igreja quando se assumira, relata o Avventire.it.

No final do encontro, a vice-presidente do grupo, Mara Grassi, deu ao Papa Francisco uma cópia do livro “Famílias afortunadas”, de Mary Ellen Lopata, que detalha as experiências de pais católicos de crianças LBGT.

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Ele também ganhou uma camiseta com as cores do arco-íris com as palavras: “No amor não há medo”. “Ele olhou e sorriu”, disse Grassi sobre a apresentação. Ela chamou o encontro de “um momento de profunda harmonia que não esqueceremos”.

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Encerrando o encontro, o Papa Francisco disse aos pais reunidos: “Amai os vossos filhos como são, porque são filhos de Deus”. Falando após o evento, Grassi disse que sua organização quer criar um diálogo entre as pessoas LGBT + e a Igreja Católica.

“Aproveitando a deixa do título do livro que apresentamos a ele, expliquei que nos consideramos com sorte porque fomos forçados a mudar a maneira como sempre olhamos para nossos filhos”, disse ela. “O que temos agora é um novo olhar que nos permitiu ver a beleza e o amor de Deus neles. “Queremos fazer uma ponte com a Igreja para que também ela mude o olhar para os nossos filhos, não mais os excluindo, mas acolhendo-os plenamente”.

O grupo também entregou ao Papa cartas escritas por pais de crianças LGBT +, detalhando suas dolorosas jornadas para serem aceitas diante do sentimento anti-LGBT + em sua igreja. Em uma carta, uma mulher identificada como Anna B disse ao Papa Francisco que seu filho sabia que só seria amado por seus pais se “sufocasse” sua verdadeira identidade.

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Ela explicou que se envolveu com um grupo cristão LGBT+ em um esforço para entender melhor a identidade de seu filho depois que ele se declarou gay. O encontro está sendo saudado como um momento significativo de mudança para membros LGBT+ da Igreja Católica. A instituição tem sido inabalável em sua oposição à aceitação LGBT+ ao longo de sua longa história.

No entanto, havia alguma esperança de mudança entre os católicos LGBT+ quando Francisco foi nomeado sucessor do Papa Bento XVI em 2013. Desde então, o Papa teve uma história complicada com a comunidade LGBT+.

Em 2013, ele ganhou as manchetes globais quando apelou à Igreja Católica para “mostrar misericórdia, não condenar” aos gays – o que representa uma mudança radical no tom em relação a seus predecessores.

Mas em 2019, ele disse a um jornal espanhol que os pais que veem sinais de homossexualidade em seus filhos deveriam “consultar um profissional” – um comentário que muitos consideraram endossar a terapia de conversão. Enquanto isso, ele tem sido ferrenho em sua oposição às identidades trans, comparando-as à guerra nuclear e à manipulação genética em 2015.

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Em 2019, o Vaticano divulgou um documento afirmando que a “ideologia de gênero” é um “afastamento da natureza”.