Sempre que o governo Bolsonaro volta atrás de uma ação, nos aliviamos momentaneamente mas acabamos ficando com medo ainda maior em seguida de a “correção” trazer algo pior. Assim também acaba de acontecer com o Ministério da Educação.

Após demitir Ricardo Vélez, aquele ministro que mandou alunos serem filmados nas escolas e quis que eles repetissem slogan do governo Bolsonaro em sala de aula (após descobrir que ambas as ações configurariam crimes, voltou atrás), foi indicado para a pasta pelo presidente, Abraham Weintraub.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

Não demorou a vazar nas redes sociais (como aconteceu com Damares Alves, a ex-número 2 do MEC, o ministro do meio ambiente, etc. no Governo Bolsonaro) uma série de vídeos constrangedores onde ele, de maneira bizarra, dá palestras afirmando absurdos como “que o empresariado brasileiro é composto basicamente por comunistas, dentre outros absurdos e fantasmas que só acreditam mesmo os alienados de extrema direita.

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Pois bem. Foi revelado agora pela revista Veja, que Abraham já processou um aluno da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) por pedir que o então professor e um outro aluno “parassem com a briga de casal”.

De acordo com a sentença, a “ofensa” do aluno Mateus de Melo Sampaio ocorreu em uma manifestação em um grupo de e-mail de estudantes que discutia mudanças no campus da Universidade.

No e-mail onde o então professor e atual ministro se ofendeu tanto, Mateus apenas solicitou que “briguinhas de casal” não fossem enviadas ao grupo, se referindo ao desentendimento entre o professor e um aluno.

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Ao recorrer à Justiça, Weintraub alegou que, ao falar em “briguinha de casal”, o estudante fora preconceituoso e lhe atribuíra, de maneira pejorativa, a condição de homossexual.

A juíza que julgou o caso, no entanto, julgou a ação improcedente e não aceitou a acusação do ministro.

Segundo ela, o comentário do aluno não teve intuito de adjetivá-lo negativamente como homossexual, mas apenas fazer uma referência a uma discussão paralela ao grupo e sem importância: “sem aptidão para ofender a honra do requerente e sem qualquer consequência de relevo que justifique a pretensão indenizatória”, concluiu no julgamento.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).