A sorologia de uma pessoa que vive com HIV é um assunto mal trabalhado entre as camadas sociais, especialmente quando se trata de relacionamento, sexo e família. Mas por que isso acontece? Porque vivemos tempos em que o moralismo e culpabilização do sexo tornam o HIV uma doença única, em que o portador é o “culpado” por sua conduta que o levou a contrair a infecção.

Nenhum indivíduo que vive com HIV é obrigado a revelar sua sorologia a parceiros, entrevistadores de trabalho, família, amigos ou quem quer que seja. Existem leis que protegem esse indivíduo, bem como sua autonomia de gerir sua existência com com o HIV, especialmente quando este indivíduo está em tratamento, mantendo-se INDETECTÁVEL, portanto INTRANSMISSÍVEL.

Uma relação entre dois, ou mais, requer toda forma de diálogo, e a decisão de informar detalhes sobre seu tratamento é absolutamente da parte portadora, tendo a outra parte, o dever de respeitar essa decisão em qualquer tempo ou profundidade que essa relação possa ter tomado. Como disse, estando a pessoa que vive com HIV ciente de sua sorologia e em tratamento, que o mantém INDETECTÁVEL e INTRANSMISSÍVEL.

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Dito sito, nenhum indivíduo pode ser criminalizado, culpabilizado ou acusado de “infectar” outras pessoas, salvo raras condutas comprovadamente propositais, em casos isolados e ainda assim, passíveis de prudência, visto que a decisão de usar um preservativo durante a relação é dos dois e não só de um.

Lembramos que existem diversas formas de prevenção contra o HIV além da camisinha, como a PrEP, a PEP que devem ser utilizadas de forma combinada, atendendo aos diversos modos de se prevenir, escolhidos por cada um, da forma como lhe convém.

Casais sorodiferentes (em que um é positivo e outro negativo) são casais que podem desfrutar do sexo sem a preocupação do uso de preservativo, quando o que vive com HIV está indetectável (processo seguro, rápido e eficiente). Temos apenas um único caso no mundo de infecção de alguém em PrEP, por conta de uma cepa de vírus mutante, mas que não representa nenhuma forma de perigo futuro, como explica o infectologista Marcus Vinícius.

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A epidemia de HIV teve seu boom nos anos 80 e 90 e assistimos a recomendação da camisinha falhar miseravelmente durante esse período, portanto, culpar fulano ou beltrano por “infectar alguém” nos parece muito mais criminoso que fazer sexo sem preservativo e acidentalmente alguém converter. Toda doença é um acidente, ninguém está imune.

Enfim, contar é uma decisão de um e não uma pressão social, muito menos obrigação. Revelar sua sorologia é um ato de confiança que o indivíduo pode ou não achar necessário, e que, pode ou não mudar sua vida, dentro de suas relações. O que adoece as pessoas não é o HIV, mas a ignorância e a falta de respeito com o próximo.