Namoro gay é recheado de estigma. E esses estigmas quase sempre tem base no patriarcado e na reprodução das relações heteronormativas: posse do corpo, anulação do desejo, casamento tradicional, obrigação de ter filhos, vergonha da separação, opressão do mais fraco, conceito tradicional de família e monogamia.

Mas se sabemos que todas essas questões fizeram com que a maioria de nossas avós (e até nossas mães) vivessem relacionamentos nos quais foram infelizes a vida inteira, por que a gente insiste em reproduzir esses padrões no namoro gay? Por causa da falsa sensação de pertencimento.

Reproduzir padrões nos faz acreditar que pertencemos a círculos sociais seguros e que, dentro deles, somos aceitos. Quando um homem gay entra em uma relação aberta, um trisal, pratica a não-monogamia ou é bissexual, imediatamente foge do padrão tradicional de relacionamento e o estigma de aquilo “não vai dar certo” pesa sobre sua cabeça.

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A duração de um namoro gay precisa ser questionada sobre, principalmente, três aspectos: 1. o que é durar? Por que nosso conceito de tempo tem sempre que ser muito e nunca estar ligado à qualidade desse tempo em vez de quantidade. 2. A quem a gente deve satisfações sobre nossas relações, a não ser nós mesmos? 3. Qual o problema em ter vários namoros em um curto espaço de tempo sem quem é dono do seu corpo e seus sentimentos é apenas você?

Os casais gays não devem sucumbir à pressão social do relacionamento perfeito, muito menos de que se está triste quando se está solteiro, ou ainda, de que só se teve sucesso numa relação quando ela durou metade da vida. Toda relação, sem dano para seu estado físico e psicológico, foi boa enquanto durou.

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Namorar não é entregar um plano futuro de compromisso compulsório com o outro, mas estar em uma relação de prazer, bem-estar, desejo e segurança até que isso permaneça para os dois, quando não houver mais, é preciso que cada um siga seu caminho e que novas relações venham. Sem julgamentos.

O site Sentimento Calmo listou 8 dicas para que um namoro gay dê certo (mais uma vez esbarrando nesse conceito de “dar certo” mas tudo bem, nos fizemos entender). As dicas são boas e valem pra toda forma de relacionamento. E o Põe Na Roda listou 13 coisas que os homens gays em relacionamentos saudáveis devem fazer. Agora é refletir e curtir o tempo que durar, seja ele o quanto for.