Mais da metade da sociedade brasileira é formada pelas mulheres. São mais de 77 milhões de eleitoras que vão votar nas urnas para ajudar a definir o futuro da nação.

Pensando nesta parcela expressiva e tão vulnerável da população, qual dos dois presidenciáveis nesta reta final promete, ou mesmo já fez, efetivamente por elas?

Em um país onde, estatisticamente, é registrado 1 estupro a cada 11 minutos, onde mulheres ganham menos do que homens e costumam ser as últimas a serem contratadas mas primeiras a serem dispensadas das empresas (como bem lembrou a ex-presidenciável Marina Silva em um debate), é muito importante considerarmos.

Separamos abaixo então o que já fez cada presidenciável pelas mulheres ao longo de sua carreira política, e logo depois, o que prometem para a presidência em 2019 segundo diz o plano de governo de cada um das eleições 2018.

Haddad:

Em seu governo em São Paulo, Haddad criou a Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, uma das ações mais importantes para mulheres na cidade. A pasta até hoje é dividida em 4 coordenações: Ações Temáticas, Autonomia Econômica, Enfrentamento à Violência, Participação e Controle Social, que discutem ações a serem implementadas em prol desta parcela da população.

Haddad criou o Projeto Guardiã Maria da Penha. A iniciativa foi criada em junho de 2014 para proteger mulheres que denunciaram seus maridos de agressão. Funciona por meio de visitas semanais não agendadas de guardas civis metropolitanos a vítimas que tenham medidas protetivas contra seus ex-parceiros por violência doméstica.

Também desde a prefeitura de Haddad, há na cidade os Centros de Atendimento para Mulheres Vítimas de Violência, unidades voltadas para a mulher em situação de violência doméstica e familiar. O objetivo é oferecer suporte para vítimas de agressões e disponibilizar orientações jurídicas para eventuais ações legais.

A gestão Haddad foi a primeira a abrir vagas para obstetrizes – profissional graduado para acompanhar gestações, partos e pós-parto. A presença de obstetriz diminui o número de cesarianas e de intervenções desnecessárias, aumentando o número de partos normais.

Haddad foi muito criticado na época em que trocou toda iluminação pública da cidade para lâmpadas de LED. Isso porque são mais caras para comprar, mas ao mesmo tempo, os custos se pagam pois não queimam como as lâmpadas convencionais que tem que ser trocadas, fora que iluminam muito mais gastando muito menos de energia na conta de eletricidade. Mas o que isso tem a ver com a mulher? Simples:“Tenho relatos de mulheres e crianças que descobriram a cidade depois da iluminação com LED”, disse o prefeito após a implementação do projeto. Em alguns bairros de São Paulo, não existia nenhum tipo de iluminação antes de 2013. A política LED nos Bairros, da Secretaria de Serviços, não somente resolveu este problema, como levou luz mais forte, reforçando a segurança à noite.

“A vida das crianças e das mulheres muda com a chegada do LED, justamente porque as pessoas se sentem mais seguras. As crianças conseguem brincar em um horário em que não utilizavam por medo em função da escuridão ou por falta de visibilidade”, afirmou Haddad.

Em julho de 2015, quando Haddad ainda era prefeito de São Paulo, a Secretaria Municipal de Educação ofereceu um sistema para registro de violência contra as servidoras que trabalham nas escolas da rede municipal.

Na prefeitura de São Paulo do governo Haddad, dos 131.287 servidores municipais ativos, 95.454 eram do gênero feminino. Isto significa que, a cada dez funcionários, sete eram mulheres, 72,71%. Entre cargos de chefia, direção e assessoramento superior, as mulheres ocupam 58,33% (ou 3.785) dos 6.489 cargos do tipo.Já dentre os cargos políticos, como secretários, secretários-adjuntos, subprefeitos e chefes de gabinete, as mulheres ocupavam 23,61% das funções, o equivalente a 34 dos 144 cargos, o que parece pouco se elas são 51% da população, mas já é muito mais que a média do que se vê entre a distribuição de cargos políticos em qualquer esfera do Brasil.

Agora vamos a uma análise do passado do adversário político de Haddad, Bolsonaro pelas mulheres:

Jair Bolsonaro, em 29 anos como deputado, nunca fez qualquer projeto de lei desenvolvido para a parcela feminina da população. Na realidade o mesmo se aplica retirando o filtro de gênero: em 29 anos, Bolsonaro teve um desempenho pífio como deputado: foram 2 projetos irrelevantes aprovados em quase 30 anos. Fez pouco pelas mulheres e também pelos homens. Mas falando nas mulheres, Bolsonaro não só não fez como atrapalhou:

Chegou a se colocar a favor de um projeto que defendia redução da licença-maternidade (notícia aqui, não é fake news).

Ainda apoiou um projeto que visava retirar o atendimento emergencial de vítimas de estupro no SUS (notícia aqui).

Além disso, Bolsonaro também foi contra os direitos trabalhistas das empregadas domésticas, categoria profissional formada majoritariamente por mulheres (notícia aqui), na popular PEC da Domésticas, aprovada quase por unanimidade em 2013.

Isso sem falar em falas completamente infelizes como “mulher ganha menos por que engravida” (veja aqui), “fraquejei e tive uma filha mulher” (veja aqui) e “não te estupro porque você não merece” (veja aqui) dito a uma deputada (e NADA é desculpa pra se tratar uma mulher desta maneira!).

Ok, conferido o passado de cada um. Mas o mais importante é o que propõe cada um para o futuro, certo? Em 2018, o que promete cada presidenciável para as mulheres, segundo o programa de governo de cada um (link pra baixar na íntegra logo após)?

Haddad:

Criação de um ministério ou secretaria para o desenvolvimento de políticas para as mulheres.

Ampliação do número de ocupantes de cargos de direção provenientes do gênero feminino, ações voltadas para a saúde das mulheres

Plano nacional de redução de homicídios voltado para crianças, jovens, negros, mulheres e população LGBTI+, com prioridade para a juventude negra, que vive nas periferias.

Regularização fundiária dos territórios tradicionais e historicamente ocupados, reconhecimento e demarcação das terras indígenas e que assegure a titularidade prioritária às mulheres nos lotes dos assentamentos nos programas de reforma agrária.

Ações que promovam a indução da produção agroecológica e a tomada de crédito pela mulheres produtoras.

Leia aqui o Programa de Governo de Haddad na íntegra.

Bolsonaro:

Na única citação em que fala especificamente da população feminina, Bolsonaro promete “combater o estupro”, sem detalhar o que efetivamente faria, como funcionaria ou de que maneira isso seria implementado.

Leia aqui o Programa de Governo de Bolsonaro na íntegra.

Assista também:

Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).