Segundo o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, 1,7 milhão de novos casos de câncer devem ser diagnosticados no páis somente em 2019. Apesar do número de sobreviventes subir a cada ano, os cuidados após a doença podem afetar drasticamente a qualidade de vida dos sobreviventes e pode ser ainda mais complicado para mulheres lésbicas e bissexuais.

Um estudo publicado no “Journal Cancer”, analisou dados entre 2014 e 2017 de homens e mulheres que tiveram câncer. Dos pouco mais de 70 mil sobreviventes incluídos no estudo, cerca de 1.900 se identificaram como lésbicas, bissexuais ou simplesmente “não heterossexuais”.

Enquanto homens e mulheres relataram menos acesso e uma qualidade de vida mais baixa após o tratamento, foram as mulheres lésbicas e bissexuais que apresentaram as taxas mais baixas de acesso pós-tratamento se comparadas as heterossexuais. Ao todo foram 42,7% de mulheres lésbicas, bissexuais ou “não heterossexuais” contra 28% de mulheres hetero.

De acordo com a pesquisadora Ulrike Boehmer, “as mulheres LGB são as mais desfavorecidas” e pessoas LGBTQ no geral são mais propensas a ter empregos que não oferecem plano de saúde, além, de enfretar outras barreiras financeiras que impedem o acompanhento adequado.

Outro grande problema encontrado é a falta de conhecimento entre médicos, especialmente oncologistas, sobre cuidados de saúde específicos para pessoas LGBTQ . Isso é frequentemente citado como uma razão pela qual essa comunidade não procura atendimento médico.

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É importante ressaltar que o estudo se concentra em pessoas cisgêneras, revelando que existe uma desafagem quando se trata de dados que incluem pessoas trans ou não binárias.

Se nos Estados Unidos, os dados sobre saúde LGBTQ ainda engatinha, no Brasil o cenário não é muito diferente. Em Julho deste ano, a Carta Capital publicou uma matéria sobre a saúde da mulher lésbica em que cita que “mais de 40% das mulheres que transam com outras mulheres (exclusivamente ou não) nunca realizaram um exame de Papanicolau para detecção de câncer de colo uterino, e que cerca de 60% delas acredita que não transmite ou adquire IST (infecções sexualmente transmissíveis) por não serem heterossexuais.”