O Estado do Mato Grosso já registrou 160 ocorrências de violência e crimes contra pessoas LGBTQIA+ desde janeiro contabilizados até agosto deste ano. Os dados são do Grupo Estadual de Combate aos Crimes de Homofobia (GECCH) divulgados pela Secretaria de Estadual de Segurança Pública (Sesp-MT) nesta sexta-feira (4).

Segundo a Sesp, entre os registros de violência, quatro tratam-se de homicídios, quatro de suicídios e duas mortes ainda a esclarecer, esses números comparados com dados de 2019, que teve 77 boletins, regista aumento de 108%.

Em fala ao G1, o secretário do GECCH, tenente-coronel PM Ricardo Bueno, falou que esse aumento absurdo nos casos de violência não significa necessariamente que foram cometidos mais crimes contra esse público, mas que o número de denúncias pode ter aumentado.

“A violência contra o público LGBT sempre existiu, no entanto, ela foi muito tempo silenciada. Somente no ano passado tivemos uma mudança significativa no aspecto jurídico deste tipo de crime com a punição prevista na Lei de Racismo. Isso contribuiu muito com o aumento de denúncias, já que as pessoas se sentem mais encorajadas e respaldadas pela lei”, afirma o secretário.

Deve-se considerar que desde a criminalização, em 2019, um número muito maior de campanhas educativas nos meios de comunicação, com indicação de canais de denúncia, pode ter acabado por gerar maior motivação por parte das vítimas em denunciar os crimes antes ocultos.

A secretaria de Segurança afirma também que 30 novos delegados foram empossados e participaram de um minicurso de capacitação ministrado pelo GECCH para atendimento do público LGBT+ que sofre violência, onde tiveram acesso a conhecimentos acerca de orientação sexual e identidade de gênero, além da aplicabilidade da Lei Maria da Penha para mulheres trans.