Mandetta, o futuro ministro da saúde do Brasil – indicado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro – afirmou ao Jornal O Globo que não acredita que campanhas de prevenção ao HIV na educação e unidades de saúde, sejam efetivas.

O Brasil, que tem um programa de saúde com campanhas e iniciativas contra o HIV dos mais elogiados do mundo, pode com a chegada do novo ministro ao cargo, perder sua relevância na área, em uma guinada conservadora e desumana da política na área da saúde. Ativistas e médicos infectologistas da área já temem a chegada da nova gestão.

“Sexualidade é algo para se tratar dentro de casa”, afirmou Mandetta ao ser perguntado sobre campanhas de prevenção em escolas e unidades de saúde. “Há pessoas que não querem usar preservativo. Mudar esse comportamento exige diálogo entre gerações, dentro das famílias”, disse.

A notícia é preocupante. Todos perdem com isso: pessoas que vivem com HIV e podem ter a eficácia ou garantia de tratamento na rede pública prejudicado, e também quem não vive com HIV que terá menos acesso a informação e ao próprio sistema de saúde, que nesta área funciona bem no Brasil.

Vale lembrar que, muitos anos atrás, em 2010, o atual presidente e então deputado Jair Bolsonaro, afirmou em entrevista ao CQC que o SUS não deveria gastar dinheiro com soropositivos. Assista abaixo:

Mandetta ainda afirmou: “O país começou a trabalhar muito a questão do medicamento. E a Aids passou a ser, na cabeça dessa geração, uma doença com a qual é possível conviver. Houve uma banalização da doença. E aceitamos isso como se fosse uma coisa natural. ‘Ah, deixa, vamos comprar remédios para todo mundo’. Precisa dosar melhor.” (continua abaixo)

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Segundo Mandetta, evitar o aumento no número de infectados só seria responsabilidade das famílias destas pessoas: “O que precisamos fazer é instrumentalizar as famílias. Você não pode esperar que o Estado diga que esse ou aquele comportamento é sexualmente correto.”

Ou seja, assim como Bolsonaro transfere a responsabilidade da segurança do Estado para o cidadão ao defender o porte de armas só aumentando a violência, Mandetta faz o mesmo, transferindo a responsabilidade da saúde e campanhas educativas e preventivas do governo para a família aumentando provavelmente o número de infectados com tanta desinformação e preconceito que há justamente em muitas famílias. Desesperador!

Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).