Um estudo da FS Magazine, que entrevistou 800 homens gays e bissexuais, revelou que quase metade – ou 43% – dos que usam PrEP já foram alvo de preconceito, sendo chamados de “puta” a “promíscuo” e palavras equivalentes.

A PrEP é uma medicação que, ministrada diariamente e conforme as recomendações médicas, consegue prevenir o HIV. Ou seja, pessoas que usam PrEP conseguem, caso tenham qualquer contato com o vírus, eliminá-lo imediatamente.

Segundo a pesquisa, o estigma vem porque muitas pessoas, em seus preconceitos, entendem que você pode usar camisinha simplesmente ao invés de ter que tomar a PrEP.

Ou ainda, entendem que, se você usa PrEP, é porque transa muito… o que não seria um problema desde que feito de maneira responsável e consensual, né moralistas?

Ian Howley, chefe  da Organização de Saúde, Igualdade e Direitos (HERO), afirmou sobre o resultado da pesquisa: “Precisamos parar com esse preconceito um com outro no meio. Chamar essas pessoas de irresponsáveis ou promíscuas não vai ajudar a reduzir o preconceito e nem os índices de infecções.”

Ele ainda adiantou que usar a PrEP não significa ser irresponsável, como as pessoas imaginam, mas pelo contrário: “Estas pessoas são as mais responsáveis por se prevenirem e evitarem que o vírus do HIV se espalhe. Devíamos agradecê-las e não condená-las!”

Também ouve-se por aí que a PrEP não seria efetiva porque não previne de outras infecções sexualmente transmissíveis, o que é verdade.

Mas como o próprio doutor questionou de maneira muito honesta: “Muitas pessoas não usam preservativo na hora do sexo oral e podem adquirir outras infecções também nesta hora… e aí?”. Gonorreia, sífilis, clamídia, só pra nomear algumas das infecções sexualmente transmissíveis por sexo oral…

Não se trata de diminuirmos o problema das outras ISTs, mas só o HIV não tem cura. Nas palavras do doutor: “Prefiro diagnosticar alguém com gonorreia, que é curável, do que com HIV.”

Howley continuou ainda falando sobre o preconceito relacionado a quem assume usar PrEP: “Há um estigma associado ao uso de PrEP que não vemos com nenhuma outra medicação, só porque é ligada a sexo principalmente entre homens gays.”

Mas é bom lembrar da eficácia. “PrEP tem um índice de eficácia de mais de 99%”, lembra o doutor. Como qualquer medicação para qualquer fim, não há 100% de eficácia garantida, de qualquer forma, é um índice muito alto e satisfatório, e que se provou eficiente na redução de novos casos de HIV.

O uso da PrEP por programas do governo diminuiu significativamente o número de novas infecções por HIV nos países onde já foi adotado o método, como em todo Reino Unido. No Brasil também é possível adquirir a medicação através do SUS. Informe-se aqui.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).