Casado há 14 anos com o jornalista responsável pela divulgação das mensagens entre o ministro da Justiça, Sergio Moro, e o procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ) contou ao Universa como as revelações afetaram a vida do casal.

“Usaram da homofobia para minimizar a gravidade do que foi denunciado. Querem me ofender, dizendo que sou viado e usaram um vídeo em que apareço dançando funk para denegrir a minha imagem e desqualificar o trabalho do Glenn [Greenwald, do site The Intercept]. Como se ser gay fosse motivo para uma pessoa não ser levada a sério”, disse.

Segundo o deputado, ele e sua família receberam inúmeras ameaças após o ocorrido. “Mandaram vários. São muito violentos. Mas dizer que vão me matar não vai me paralisar”, afirmou David.

“No domingo, quando as reportagens saíram, passamos a madrugada deitados na cama, um do lado do outro, respondendo a tweets e rindo de comentários de figuras da oposição, que duvidavam do que havia saído. Foi divertido, mas, agora, tivemos que desenvolver um esquema de segurança para os meus filhos [dois meninos, um de 10 e outro de 11 anos]”, revelou.

Miranda já encaminhou os emails com as ameaças à Polícia Federal e acredita que a criminalização da LGBTfobia o ajude neste momento. “Agora que o STF decidiu que LGBTfobia é crime, quem me ofender também vau tomar processo. Se bem que me chamar de viado já é elogio”.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

O deputado aproveitou o momento para falar um pouco sobre a relação com seu marido, que é de muita cumplicidade e sintonia. A união dos dois foi oficializada no Brasil e nos Estados Unidos, país onde seu marido nasceu.

“Glenn é o centro do meu mundo. Têm dias que saio da Câmara dos Deputados [em Brasília] desanimado porque algum projeto que não concordo foi aprovado, ou o contrário. Ligo para ele, que mora no Rio, e ficamos conversando até eu dormir. Ele me escuta e me fala o que pensa”, contou David.

No próximo domingo (23), David Miranda participará da Parada do orgulho LGTBQ de São Paulo e estará no primeiro carro. Para ele, o evento é uma “comemoração dos que sobrevivem”.

“Vejo como uma comemoração do que estão vivos no país que mais mata LGBT no mundo. Tem que fazer festa mesmo. É um dia do ano para se orgulhar. Vão falar que é balbúrdia, mas não importa”, frisou o deputado.

O substituto de Jean Wyllys tem se mostrado essencial na luta pelos direitos da comunidade LGBTQ. Ele, enquanto vereador, foi o responsável pela criação da lei que garante o respeito ao nome social das transexuais e travestis no Rio de Janeiro. Além disso, já como deputado, criou um projeto de lei que servirá como uma espécie de Lei Maria da Penha para os LGBTQs, este ainda será votado.