Os estudiosos franceses passaram a lamentar nesta quinta-feira (14) a rejeição, pelo presidente francês Emmanuel Macron, do pedido de entrada de Arthur Rimbaud no Panthéon, alegando respeito à vontade dos descendentes do poeta. A honraria, segundo apoiadores, levaria para o Panthéon mais diversidade e representatividade.

“Tendo em conta o papel particular do Panthéon na construção de uma memória republicana compartilhada, eu não quero ir contra a vontade manifestada pela família. O corpo de Arthur Rimbaud não será retirado” do túmulo familiar em Charleville-Mézières, escreveu na quarta-feira (13) o chefe de Estado ao representante legal aos parentes.

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Macron rejeita entrada do poeta gay Arthur Rimbaud no Panthéon
Macron rejeita entrada do poeta gay Arthur Rimbaud no Panthéon

Segundo o UOL, na carta, Macron não menciona a questão reconhecimento da homofobia. O presidente francês é o único que pode decidir quem entra no mausoléu, onde estão enterradas personalidades que se destacaram em diversas áreas e contribuíram para a ciência, literatura e política na França.

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Atual e ex-ministros da cultura da França entram com petição para entrada de poetas no Panthéon

Foi criada uma petição pedindo a entrada no Panthéon do poeta e seu amante Paul Verlaine foi assinada por quase todos os ex-ministros da Cultura franceses e pela atual, Roselyne Bachelot. “São dois poetas maiores de nossa língua” e “dois símbolos da diversidade. Eles tiveram de enfrentar a homofobia implacável de sua época. Eles são os Oscar Wilde franceses. Seria justo celebrar hoje sua memória”, informa a petição que foi assinada por escritores célebres, intelectuais, acadêmicos e universitários.

Em ataque homofóbico, em setembro de 2020, a sobrinha bisneta de Rimbaud, Jacqueline Teissier-Rimbaud, se opôs à homenagem, criticando o destaque dado à relação dos escritores. Segundo ela, se os poetas fizerem sua entrada juntos no Panthéon, “todo mundo vai pensar ‘homossexuais’. Mas não é verdade. Rimbaud não começou sua vida com Verlaine e não terminou com ele, são apenas alguns anos de sua vida”, disse em declaração.

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Jacqueline também afirma que seu ponto de vista é compartilhado pelo filho e netos, que não aceitam a sexualidade de Rimbaud.

Arthur Rimbaud e sua representatividade

Arthur Rimbaud nasceu em Charleville, na fronteira da França com a Bélgica, em 1854. Apesar de ter abandonado a literatura ainda jovem, aos 20 anos, sua obra é considerada uma das mais importantes da literatura da França.

Em seus anos da juventude, Rimbaud viveu um romance com o escritor francês Paul Verlaine. A história de amor foi, inclusive, tema do filme “Eclipse de uma Paixão” (1995), com o ator Leonardo DiCaprio no papel de Arthur.

Dicaprio como Arthur Rimbauld
Dicaprio como Arthur Rimbaud

Repercussão

Roselyne Bachelot destacou a importância do reconhecimento da homossexualidade do poeta. Um dos autores da petição, Frédéric Martel, lamentou a decisão do presidente e dos herdeiros “anti-gay” de Rimbaud e pediu maior diversidade no Panthéon.

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“Está na hora de um novo Panthéon, mais próximo dos franceses, mais representativo, chegará inexoravelmente”. A questão da representatividade no mausoléu é levantada também por grupos feministas. Atualmente, as 78 personalidades enterradas no Panthéon, apenas 5 são mulheres.

Em outubro, dezenas de membros de associações de luta pelo aborto e pelos direitos das mulheres fizeram uma manifestação para pedir a entrada da advogada e deputada e feminista Gisèle Halimi, que faleceu em julho aos 93 anos, no célebre monumento.

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Carioca, antenado e intenso. Redator do Põe na Roda e Produtor Digital da Rádio Rio de Janeiro. Amante das artes, desde as cênicas até a fotografia. Taurino com 21 anos, apreciador raiz da cultura pop e um jornalista em construção.