Atendendo um pedido da defesa do presidenciável Fernando Haddad, o ministro Carlos Horbach, do TSE, suspendeu diversos links de sites e redes sociais com a expressão “kit-gay” usados pelo presidenciável Jair Bolsonaro para espalhar uma série de mentiras e fake news sobre seu adversário usando o tal do “kit gay”, um projeto completamente deturpado politicamente nas eleições e que nunca sequer ocorreu de fato.

Conforme informações da Folha de São Paulo, as afirmações da campanha de Bolsonaro pelas redes sociais sobre o material tinham acusações absurdas como “de que o material escolar de Haddad iria incentivar o sexo entre pais e filhos”, que “o PT queria obrigar crianças a partir de 5 anos a trocar de gênero” e até pedofilia. Tudo que sua tia adora sair espalhando no whatsapp, não confiando em fontes oficiais mas jurando que aquilo é verdade.

Quem se informa sabe que o chamado vulgarmente “kit gay” nada mais era que um material pedagógico desenvolvido pelo MEC e a Unesco pra se discutir sexualidade, diversidade e homofobia na sala de aula, e seria distribuído a professores e pré-adolescentes de 10 e 11 anos.

A intenção era somente combater o que a Unesco identificou em um estudo como principal causa da evasão escolar entre crianças e adolescentes: o bullying LGBT, que torna a vida de todo LGBT um inferno tanto na escola quanto em casa, fazendo muitos desistirem dos estudos ou não conseguirem arcar quando são expulsos de casa pelos pais.

Todo material era didático, adequado a idade dos jovens e além de evitar o bullying homofóbico, ensinava também questões que poderiam ajudar a evitar gravidez na adolescência e a alta tava de infecções sexualmente transmissíveis entre jovens, tudo fruto da desinformação dessa geração que não aprende nem em casa e nem na escola de maneira adequada sobre essas questões.

Aprenda mais – e sem fake news – o que era o kit gay nos slides abaixo:

Vale lembrar que o livro exibido por Bolsonaro no Jornal Nacional também nunca foi adotado pelo MEC. Ou seja, outra mentira do candidato.

Os posts mentirosos de Bolsonaro e seus filhos nas redes sociais e correntes de Whatsapp ainda afirmavam mentiras, como de que o material teria sido distribuído, e que seria dado a crianças de 6 anos.

Horach afirmou na divulgação da sentença: “A difusão da informação gera prejuízo ao debate político”, reconhecendo entender se tratar de propagação de Fake News.

A decisão é justa, mas vêm muito tarde e falha em não penalizar de maneiras mais rígida a propagação de mentiras ao eleitor. Dificilmente agora consegue-se reverter o prejuízo que a disseminação de mentiras causou ao candidato Haddad com milhares de pessoas acreditando veementemente nos absurdos inventados e propagados por Bolsonaro, seus filhos e sua campanha suja.

Assista também:

Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).