Legisladores da França começaram a debater um projeto de bioética que permitiria que mulheres solteiras e casais homoafetivos acessassem tratamento de fertilização in vitro. Acontece que médicos estando afirmando que isso pode levar à falta de esperma nos bancos.

Até hoje, a legislação atual francesa permite a reprodução assistida financiada pelo Estado apenas para casais heterossexuais casados ou que vivem juntos há pelo menos dois anos. Enquanto isso, casais homoafetivos que desejam se tornarem pais, recorrem a laboratórios particulares.

Segundo a Reuters, os médicos da rede francesa de bancos de espermatozóides (CECOS) disseram que a oferta atende apenas à demanda atual, e permitir incluir mulheres lésbicas e bissexuais para acessar o estoque pode gerar escassez de espermatozóides no país.

Nathalie Rives, presidente da CECOS, afirmou: “Dizer ‘tudo vai ficar bem’ seria ignorância. Haverá um período de instabilidade com aumento da demanda e necessidade de recrutar novos doadores. Não sabemos em quanto tempo isso seria resolvido.”

A mudança da lei em torno da tecnologia reprodutiva foi uma das promessas do presidente Emmanuel Macron. Outra alteração proposta é abolição do direito dos doadores de permanecerem anônimos permanentemente.

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Atualmente, crianças concebidas por doadores de óvulos ou espermatozóides não tem direito a saberem a origem de seus pais biológicos após a maioridade.

Médicos do CECOS previram, de acordo com a Reuters, que, se a legislação for aprovada, menos doadores ainda irão se dispor a doar o esperma tão necessário aos bancos.

O ginecologista e obstetra Professor René Frydman, apelidado de “Monsieur PMA”, criou o primeiro “bebê de proveta” da França e disse estar frustrado com a falta de progresso em permitir que todas as mulheres acessem tratamentos como fertilização in vitro.

Ele disse à France 24: “Toda mulher que quer ter um bebê deve ter direito a assistência médica nas melhores condições possíveis”.

Fonte: Pink News

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).