O modelo britânico Kenny Ethan Jones falou à NBC sobre como lida com a menstruação sendo um homem trans, além de expor suas preocupações relacionadas à segurança e falha de acesso a saúde menstrual para transgêneros.

O modelo destacou que a dor da menstruação é psicológica e física.

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“Não acreditava que menstruar seria parte da minha experiência de vida. Eu me senti isolado, tudo sobre períodos menstruais foi adaptado às meninas, mas eu, um garoto, estava experimentando isso e nada no mundo documentava sobre isso”, disse Jones à NBC News sobre a primeira vez em que menstruou.

“Menstruar já me causa muito desconforto, mas isso aumenta quando preciso comprar um produto rotulado como ‘saúde da mulher’ e, na maioria dos casos, é feminino e rosa”, explicou Jones.

Algumas pessoas trans e não binárias que menstruam podem ter dificuldade em comprar produtos voltados para mulheres – e podem até evitar comprá-los de uma vez devido ao constrangimentio.

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“Definitivamente, vi uma mudança positiva na discussão sobre o período menstrual das mulheres, mas o estigma em relação aos homens trans, indivíduos não-binários e intersexuais, ainda está bem vivo”, disse Jones. “As pessoas ainda relutam aceitar que não são apenas as mulheres que passam por esses períodos”.

Um bom exemplo de mudança de postura das marcas foi quando a empresa de higiene menstrual Always removeu o símbolo feminino de “Vênus” de suas embalagens, em um movimento em direção à inclusão.

Em comunicado à Metro, a Always, proprietária da Procter & Gamble (P&G), disse que a empresa “percebeu que nem todo mundo que tem um período menstrual e precisa usar seus produtos se identifica como mulher. Para garantir que qualquer pessoa que precise usar um produto menstrual se sinta à vontade para fazer isso, portanto, atualizamos o design de nossas embalagens”.

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A decisão da Always, em outubro de 2019, foi elogiada por muitos na comunidade LGBT+ – mas também recebeu diversas reações negativas de ativistas anti-trans.

O Daily Mail acusou a empresa de “se vender” a “ideologia de gênero”, e a feminista radical Julie Bindel disse ao The Mail que “remover o símbolo feminino da embalagem é basicamente negar a existência de mulheres.

“Agora estamos caminhando para a eliminação total da biologia das mulheres. O símbolo das mulheres é usado por feministas há décadas. Isso é pura covardia e mostra as grandes marcas corporativas capitalizando a agenda trans”.

Mas o grupo de defesa trans, Trans Actual, respondeu: “Estamos francamente preocupados com as mulheres cujo senso de si é tão frágil que a remoção de um símbolo de um pacote de absorventes as faz sentir ‘apagadas'”.

Quanto a Kenny Ethan Jones, ele afirma que não vai parar de lutar por mais cuidados de saúde com transgêneros.

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“Vou passar meu 2020 defendendo a inclusão da minha comunidade”, afirma.

Matéria traduzida do site PinkNews. Confira o texto original aqui.