Um homem gay de descendência asiática chamado Michael Rivera não esperava pela resposta que recebeu no Grindr após mandar um simples “Oi, tudo bem?” a um cara que ficou interessado. “Tchau” e “Coronavírus”, respondeu o contato.

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Preconceituosos tem usado a pandemia global atual para espalhar mensagens de ódio até no aplicativo de encontros gays, da mesma maneira que a peste negra ou a gripe espanhola foram usadas para justificar xenofobia no mundo em tempos passados.

Michael contou ao portal PinkNews que tem experimentado racismo e discriminação nos aplicativos recentemente: “Nasci e cresci em Hong Kong, onde várias epidemias tiveram efeitos maciços na consciência coletiva. Esse tipo de resposta dói de maneira muito pessoal, dada a minha experiência de viver em um lugar como Hong Kong na Ásia”, explicou.

Vale lembrar que o coronavírus não “vem de povos asiáticos”. Ele teve origem em um mercado de animais de Wuhan. Vem de animais cujo vírus foi transmitido ao ser humano na Ásia. É diferente.

Apesar das orientações da Organização Mundial da Saúde contra o uso de localizações geográficas ou etnias para nomear doenças, o presidente dos EUA, Donald Trump e seus aliados republicanos, além do presidente do Brasil Eduardo Bolsonaro e seus filhos, têm chamado o coronavírus de “vírus chinês” nas redes sociais, um apelido corrosivo que apenas intensifica a xenofobia e o racismo contra asiáticos.

Além disso, Michael contou que o racismo não tem sido encontrado apenas no Grindr: “Duas semanas atrás, eu estava pegando um trem com meu namorado em Amsterdã. Um grupo de mulheres se afastou enquanto ria de nós quando tossi normalmente. Fomos ridicularizados por elas”.

Essa situação de coronavírus está apenas intensificando a incidência de comportamentos racistas direcionados principalmente aos asiáticos do leste e sudeste.

Michael falou ao Pink News que tornou sua história pública na esperança disso aumentar a conscientização quanto a este tipo de preconceito que tem sofrido o povo asiático durante a pandemia recente.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).