Miguel, conhecido por seus médicos como “O Paciente de Lisboa”, tinha 84 anos quando foi diagnosticado com HIV. Ao chegar aos 100 anos, ele se tornou a pessoa mais velha documentada vivendo com o vírus.

Ele nunca soube como adquiriu HIV, mas, desde o início decidiu que queria lutar por sua vida.

Há 15 anos atrás, Miguel foi levado ao hospital por estar sofrendo dificuldades respiratórias. Após exames, médicos notaram que ele tinha formas raras de colite e linfoma, além de uma baixa contagem de células brancas. Mais tarde, o diagnosticaram com HIV.

Em entrevista, o médico que tem auxiliado Miguel no tratamento contou que no começo houveram diversas preocupações: “Quando ele me procurou nessa idade, eu tinha algumas dúvidas se deveria trata-lo. Ele poderia não suportar o tratamento. Tivemos que considerar diversos cenários nada agradáveis. Felizmente, correu tudo bem“, disse Henrique Santos que, a pedido de Miguel que decidiu que queria lutar e tentar o tratamento, rapidamente iniciou um processo intenso de quimioterapia.

Não foi fácil, mas, o tratamento se mostrou eficaz e hoje em dia Miguel leva uma vida normal com uma carga viral indetectável.

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Inês Pintassilgo, médica residente que trabalha com Miguel a três anos, conta que o sucesso do tratamento é o uso diário e correto de medicamentos, mas, Miguel tem uma opinião diferente:

A razão pela qual atingi uma idade tão avançada é porque todos os dias quando vou dormir faço uma xícara de chá de limão. Uma boa fatia de limão com a casca, a polpa, tudo. Fervo por cinco minutos e, no final, acrescento uma boa colher de chá de mel“, conta ele.

Além do cházinho de limão antes de dormir, Miguel também toma dois medicamentos anti-retrovirais por dia. Ele não fuma e nem bebe álcool e seus pais viveram quase cem anos.

De acordo com um estudo realizado em 2017, a expectativa de vida de pessoas que vivem com o HIV tem aumentado consideravelmente ao longo dos anos, à medida que surgem novas e aprimoradas terapias e medicamentos anti-retrovirais.

Giovanni Guaraldi, especialista em HIV, considera Miguel uma inspiração e exemplo de persistência: “Acredito que o Paciente de Lisboa é um sinal de esperança para as pessoas que vivem com HIV, dizendo que você ainda tem a capacidade não apenas de viver mais, mas de viver com saúde, de experimentar um envelhecimento saudável“.