A Dra. Danielle Jones, uma obstetra-ginecologista americana conhecida em seu canal no YouTube como Mama Doctor Jones, acabou com a teoria usada por muitos transfóbicos, de que “a ciência é composta de genética, e a genética diz que seus cromossomos só podem ser XX ou XY, e isso significa que você só pode ser homem ou mulher e não pode mudar isso.

Em um vídeo chamado “A ciência é anti-transgênero?”, de seu canal no Youtube, Jones afirmou claramente: “A ciência não é um argumento que pode ser usado para invalidar a existência de um indivíduo transgênero ou não-binário“.

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Pra começo de conversa, ela definiu o que é ‘ciência’: “A ciência é definida como a atividade intelectual e prática que abrange o estudo sistemático da estrutura e do comportamento do mundo físico e natural através da observação e do experimento”.

Então começou sua explicação deixando claro que a biologia é apenas uma parte das ciências: “Portanto, a ciência inclui muitos aspectos do estudo psicológico, social e comportamental, bem além de genética e DNA, onde tentam limitar estes argumentos.”

Sobre o tema “sexo biológico”, Jones esclareceu: “Então o que é sexo? Em geral, o sexo é geralmente masculino ou feminino. Mas como chegamos a essa conclusão? Na maior parte das vezes é considerado apenas sexo genético, que são seus cromossomos. Mas isso não é tudo sobre este assunto, porque a maioria de nós nunca nem soube seus sua própria formação cromossômica e talvez nem saibamos qual é a nossa composição cromossômica real”, disse ela.

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Em seguida, a médica começou a abordar a parte que pessoas transfóbicas ignoram em suas colocações pra definir sexo genético ou formação cromossômica como fator determinante para gênero: “O sexo também é composto de um segundo componente, que é o sexo fenotípico, que é a maneira como você olha para o mundo. Quando você nasce, a única maneira que conseguem te definir de fora para o mundo é vendo seus órgãos genitais. E assim, ao nascer, você recebe um gênero quase inteiramente baseado apenas na maneira como seus genitais aparecem.”

Mas como pessoas trans e intersexo provam, isso não é tudo, lembra ela: “No entanto, cerca de um em cada 2.000 bebês nos Estados Unidos será intersexo, ou seja, nascerá com o que chamamos de genitália ambígua, o que significa que não é imediatamente possível determinar o gênero da pessoa considerando apenas sua aparência física, se são homens ou mulheres.”

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Ela acrescentou ainda sobre a trangeneridade: “Ninguém está dizendo que você pode mudar seu sexo genético e nem é isso que pessoas trans pretendem. Mas, como acabamos de falar, a maneira como um gene é expresso, sua expressão fenotípica, que significa a composição do corpo de uma pessoa e sua identidade de gênero, como ela se reconhece, todos estes fatores fazem parte do sexo de uma pessoa.”

Jones acrescentou que o sexo legal também geralmente não é decidido pela genética ou pela ciência, dizendo: “Sabemos que isso é verdade porque a maioria de vocês que nunca teve seus cromossomos verificados, mas você tem um sexo designado como sexo legal em sua documentação, por exemplo”.

A ginecologista disse que recebeu até ameaças por seus posicionamentos, inclusive avisos de que fariam denúncias à junta médica por ser uma profissional inclusiva no quesito diversidade.

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Em resposta, Jones disse: “Se você acha que precisa me denunciar por qualquer coisa que eu tenha dito neste vídeo, o que é expressamente apoiado por todas as principais organizações médicas dos Estados Unidos e do mundo, sinta-se à vontade para tentar.”

Logo adiante, ela falou sobre a importância de ser uma profissional inclusiva independente de gêneros: Ser inclusiva e se esforçar para usar uma linguagem neutra de gênero é importante e significa salvar vidas nestes casos. Os indivíduos trans têm uma taxa muito alta de não comparecimento a atendimento médico justamente devido a questões como preconceito e disforia”.

Ao fim, e para todos os transfóbicos, ela deixou seu recado: “No final das contas, somos todos ‘pessoas’ que são rotuladas em grupos depois disso. Se você não se sente à vontade de estar junto a pessoas e se sente excluído por ser inclusivo, então quem tem que ser excluído – e se excluir – é você”.

Assista abaixo seu vídeo na íntegra:

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).