Com a saída de Raquel Dodge da Procuradoria-Geral da República (PGR), o presidente Jair Bolsonaro indicou, em mais uma atitude que prova que age por ideologia e sem qualquer embasamento técnico, o nome de Augusto Aras para o posto de Procurador Geral da República.

Dentre os motivos que levaram Bolsonaro a indicar Aras, houve um documento que ele assinou se comprometendo com a Associação Nacional de Juristas Evangélicos, onde dizia “se comprometer com a causa cristã que entende como família apenas a união entre homem e mulher”.

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Pois bem. O senador do Espírito Santo, Fabiano Contarato (Rede) é gay, casado, tem filhos e confrontou Augusto Aras deixando-o sem saída em uma sabatina da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, chegando a arrancar aplausos dos presentes, questionando-o sobre sua posição excludente, ultraconservadora e contra a própria constituição brasileira.

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“Eu sou delegado de polícia há 27 anos, eu sou professor de Direito há 20, estou senador da República. Eu tenho muito orgulho da minha família, eu tenho um filho. O senhor não reconhece a minha família como família? Eu tenho subfamília? E diz mais: estabelece cura gay. Eu sou doente, senhor procurador?“, perguntou Fabiano Contarato, ao que o procurador não conseguiu responder, se limitando a ficar em silêncio em sua covardia.

Assista abaixo ao momento histórico:

Na tentativa de se explicar após a fala de Contarato, Aras assumiu que não leu a carta que assinou e reconheceu que “homem e mulher” deva ser substituído por “pessoas” no conceito de família. 

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De duas a uma, em sua confissão, ou Aras assumiu sua incompetência e irresponsabilidade ao assinar um documento sem ler, ou mentiu, tendo assinado sabendo muito bem do que se trata o documento excludente da Associação Nacional de Juristas Evangélicos, e agora quis sair pela tangente covardemente.

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Fabiano Contarato, o marido e o filho.

Além disso, como lembrou Fabiano Contarato, Aras defendia “cura gay” (vulgo “tortura”) no documento assinado e também errou ao taxar  sexualidade como uma “escolha”: “Corrijo as palavras do indicado à PGR. Não é opção ser LGBTI! A pessoa é! É preciso entender isso.”

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).