Parece que um defensor ferrenho da família tradicional, dos valores conservadores – e claro – eleitor de Bolsonaro, foi pego de calças curtas… e não se trata do ditado, mas literalmente.

Viralizou na Internet um compilado de prints do perfil de um cidadão cujo perfil no Facebook continha vários posts a favor do deputado Jair Bolsonaro, em defesa da família tradicional como único formato de família, etc… Até aí nada fora do comum, né?

O que este “pai de família” não esperava, era que sua participação em um grupo do Facebook chamado “Homens de calcinha”, contendo fotos suas, seria printada e compartilhada pela Internet junto aos seus posts de de apoio ao candidato homofóbico, expondo toda hipocrisia dessa corja conservadora, que não pensa duas vezes antes de humilhar drag, de dar lampadada em gay na rua, de expulsar travesti da escola, de impedir pessoas trans de usar o banheiro de acordo com seu gênero… mas na encolha, veja só! E por que será que a gente não se surpreende?

Inclusive a psicologia explica já há muito tempo a tendência de pessoas extremamente reacionárias – não uma pessoa conservadora comum, mas essas que já espumam pela boca só de ouvir a palavra “minoria” – serem justamente as que mais escondem algo mal resolvido lá dentro, normalmente algo que não aceita em si e então condena no outro.

E que fique claro: “mal resolvido” não é usar calcinha. Sexualidade e fetiches, cada um tem os seus e este senhor conservador tem todo o direito. Mas com o incidente, fica escancarada a hipocrisia de muitos dos conservadores, que votam em candidatos machistas, misóginos, homofóbicos e racistas, mas escondidos fazem justamente o oposto.

No twitter há centenas de publicações com os prints identificáveis expondo a hipocrisia (diferente daqui que embaçamos a foto e tiramos o nome por um fio de respeito e dignidade ao cidadão). Um dos posts já conta com mais de mil compartilhamentos. Uma rápida busca e é possível encontrar…

Ah, já sabendo que alguém vai problematizar a “exposição” do homem: a princípio, pode até ser. Mas muito além disso, o compartilhamento deste episódio não é meramente a exposição de uma pessoa apenas. É algo muito maior: é a prova da dissimulação de todo um clã de tradicionalistas raivosos que nos ridicularizam, nos minimizam, condenam e matam todos os dias.

E alguém me perguntou: “Mas este eleitor era homofóbico além de eleitor do Bolsonaro?”. Olha, uma pessoa que apoia candidato que já disse frases como:
– “Filho gay deve levar porrada pra ver se vira homem.”
– “90% dos gays morrem por consumo de drogas.” (???)
– “Não vou discriminar, mas, se eu vir dois homens se beijando na rua, vou bater.” (????).

Sinceramente, se este eleitor não for homofóbico, é muito burro. Ou tá fazendo propaganda de um candidato que mal conhece? (o que também não me soa estranho) Nem sei o que seria pior.

São estes senhores que adoram encher a boca pra dizer que nossa luta por direitos, dignidade e igualdade, é MIMIMI. Pois bem, se eles reclamarem agora, é a nossa vez de dizer: Ai gente, chega de mimimi! Como esse mundo ta chato heim, estamos só brincando com o cara!! Não pode mais nem fazer piada?? O que que tem?? Tava mostrando calcinha é pq ta querendo!!! UÉ, SE NÃO QUERIA QUE VAZASSE POR QUE MANDOU A FOTO?? Aliás, não é justamente isso que eles dizem pra meninas vítimas de revenge porn?

Não esperem agora que a gente tenha consideração pelo pai de família. Não que a gente não tenha, pelo contrário. Daqui desse lado sobra coração e até que a gente teria ter piedade, mas acontece que nossa piedade já tá muuuito ocupada com o gay afeminado que estes senhores atacam na rua, com a travesti que levou um chute e perdeu um rim só porque estava andando a luz do dia, com o pai e filho héteros que estavam abraçados e tiveram orelha decepada só por pessoas desta laia acharem que eram gays, com a lésbica que eles aceitam apenas como fetiche, ou com a mulher que eles não acham nada de mais dizer que “não merece nem ser estuprada”…

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).