A polícia indonésia prendeu 56 homens em batida em uma festa gay e enquadrou nove deles de acordo com as leis contra pornografia vigentes no país. Os oficiais libertaram os 47 homens restantes. Mas os nove homens que alegam ter organizado a festa podem pegar até 15 anos de prisão e multa.

De acordo com o GSN, a operação ocorreu em Kuningan, um distrito comercial na capital da Indonésia, Jacarta, no sábado (29 de agosto). A homossexualidade não é ilegal na maior parte da Indonésia. No entanto, a polícia tem um histórico de perseguição de pessoas LGBT+. Em 2017, eles prenderam 141 homens em uma batida em uma sauna gay.

Neste caso, os organizadores da festa gay fizeram a festa como uma “reunião de homens para promover a independência”. A festa tinha um código de vestimenta vermelho e branco, talvez em homenagem ao dia da independência da Indonésia, em 17 de agosto.

Os festeiros no local privado tiveram que pagar uma taxa de inscrição de cerca de US$ 10 a US $20, algo em torno de R$ 50. O material promocional mostrou que os organizadores proibiram drogas e armas. O porta-voz da polícia de Jacarta, Yusri Yunus, disse que ainda estão investigando se outras pessoas estiveram envolvidas.

Enquanto isso, a polícia afirma que cada um dos nove homens acusados de promover a tal festa gay ​​tinha funções diferentes na festa. Alguns recebiam os convidados, outros cuidavam da segurança. Eles identificaram um por suas iniciais – TRF – que eles afirmam chefiar o comitê organizador.

Yunus confirmou que o evento não foi organizado para fins lucrativos, mas apenas para diversão: “Eles não buscavam lucro, mas o prazer de sua comunidade.” Enquanto isso, a polícia também disse que havia feito um exame médico nos homens. Os testes mostraram que um deles era HIV positivo.

Yunus acrescentou: “A média de idade deles é superior a 20 anos, vários deles têm mais de 40 anos, todos são de Jacarta e alguns deles são até mesmo casados ​​[com mulheres]”. Os policiais dizem que confiscaram preservativos e intensificadores de desempenho sexual na festa para usar como prova.

A homossexualidade é ilegal apenas em uma província da Indonésia – Aceh. Lá as autoridades o punem com açoites. No entanto, os políticos indonésios têm estimulado o sentimento anti-LGBT+. Em fevereiro, eles propuseram uma nova lei que tornaria a homossexualidade ilegal em todo o país do sudeste asiático. A lei forçaria as pessoas em “campos de conversão” LGBT+ a passar por “exorcismos”.

Na verdade, a polícia formou uma força-tarefa especial para perseguir a comunidade LGBT+ sob o pretexto de “investigar a homossexualidade”. Enquanto isso, a Anistia Internacional condenou as detenções.

O diretor executivo da organização na Indonésia, Usman Hamid disse: ‘Não há justificativa legal para criminalizar o comportamento de que esses homens são acusados. Tal festa gay não representaria ameaça a ninguém. As autoridades estão sendo discriminatórias e violando os direitos humanos à privacidade e à vida familiar, à liberdade de expressão e à liberdade de reunião e associação”.

“Incursões como essa de batidas em festa gay enviam uma mensagem aterrorizante para as pessoas LGBTI. Apelamos às autoridades para que libertem todas as pessoas detidas na festa e retirem todas as acusações contra elas, completa.