De acordo com um novo estudo, um exame cerebral já consegue identificar o gênero de uma pessoa conforme a sua mente. A descoberta foi publicadas pelo jornal britânico, The Thelegraph.

Conduzido pela Dra.Julie Bakker, pesquisadora e chefe do Laboratório de Neuroendocrinologia da Universidade de Liége, o exame consegue detectar – até mesmo desde criança e independente de alterações corporais ou mesmo antes da chegada da puberdade – a qual gênero corresponde a mente do indivíduo e se ele é transgênero.

Bakker explicou em sua pesquisa, entitulada “Estrutura do cérebro e função na disforia de gênero”, que os resultados comprovam a tese defendida por muitas pessoas trans de que já se nasce desta forma.

Pra quem não sabe, disforia de gênero é o nome médico atribuído a transexualidade. De maneira literal, significa: quando a mente da pessoa e seu corpo físico não estão em acordo no mesmo gênero.

Vale lembrar que um outro estudo recente realizado no Brasil, conduzido por pesquisadores da USP, também comprovou a teoria de que pessoas trans nascem assim.

“Descobrimos que as respostas hipotalâmicas de meninas e meninos diagnosticados com disforia de gênero eram mais semelhantes ao sexo experimentado do que ao próprio sexo de nascimento”, contou a doutora.

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Além da descoberta, ela também notou que até a quantidade de substância cinzenta encontrada em um cérebro pode revelar gêneros de homem e de mulher independente do sexo biológico com o qual o corpo da pessoa nasceu.

“A quantia de substância cinzenta de ambos os grupos de disforia de gênero se desviaram das características de seu sexo de nascimento em relação àqueles de indivíduos cisgêneros, ou seja, os que estão com sua identidade de gênero em acordo com o gênero atribuído no nascimento conforme seu sexo biológico.”

Não é novidade científica que cérebros de homens e mulheres sejam até fisicamente diferentes. Mas é a primeira vez que se comprova que também há essa diferença em pessoas trans, com o cérebro justamente comparável ao de indivíduos cis do gênero oposto.

A revelação científica é empolgante e pode colaborar para que pessoas trans sejam mais entendidas e a transexualidade seja vista finalmente como uma manifestação da natureza, com menos preconceito e ignorância.

“Embora mais pesquisas sejam necessárias, agora temos evidências de que a diferenciação sexual do cérebro difere em jovens com disforia de gênero, pois eles mostram características funcionais do cérebro que são típicas de seu gênero desejado.”, disse ela.

E concluiu: “A medicina estará melhor preparada para lidar com a questão e verdadeiramente apoiar estas pessoas, em vez de apenas enviar a um psiquiatra e ficar esperando que o sofrimento desapareça”.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).