Jovens com menos de 30 anos de idade, gays e mulheres transexuais podem participar do primeiro estudo em larga escala para testar a nova medicação injetável de longa duração chamada Cabotegravir. Uma injeção intramuscular da droga, aplicada a cada 2 meses, é capaz de manter níveis adequados do medicamento no sangue e poderá revolucionar a prevenção contra o HIV.

O objetivo do estudo é saber se uma injeção de Cabotegravir a cada 8 semanas é segura e se é tão eficaz para prevenir o HIV quanto a medicação oral atualmente utilizada para Profilaxia Pré-Exposição (PrEP). Hoje, a PrEP oferecida pelo Sistema Únicos de Saúde (SUS) é uma combinação de drogas na forma de comprimidos.

O ensaio clínico internacional, financiado pela Divisão de Aids do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês), está testando mundialmente a forma injetável da Cabotegravir, que já possui alta eficácia no tratamento contra a multiplicação do HIV, segundo o médico infectologista do HCFMUSP, Dr. Ricardo Vasconelos, Coordenador Clínico do Projeto HPTN083 de PrEP injetável de longa duração.

“Pretendemos demonstrar que tomar uma injeção de HPTN 083 a cada 2 meses protege tão bem contra a infecção do HIV quanto um comprimido diário da PrEP tradicional. Quanto mais estratégias de prevenção, mais fácil será contemplar os diferentes contextos de vida, da mesma maneira que o anticoncepcional. Hoje, há 17 formas de contracepção. A prevenção contra infecções sexualmente transmissíveis deve seguir os mesmos passos, ou seja, oferecer o maior leque possível de possibilidades de prevenção”, argumenta o pesquisador.


Dr Ricardo Vasconcelos, Coordenador Clínico do estudo realizado no HCFMUSP, que compõe a rede de mais de 40 centros que testam a nova profilaxia contra o HIV

Segundo Vasconcelos, embora a PrEP oferecida no SUS seja eficaz, os estudos mostram que, assim como o uso da camisinha, a proteção só é efetiva com o uso consistente e correto. Jovens até 30 anos de idade, mulheres transexuais e homens gays são os grupos menos protegidos devido à inconstância no uso de preservativo e também da PrEP em comprimido, o que justifica a escolha desses grupos prioritários para a pesquisa. Atualmente, 25% dos homens gays em São Paulo e 18% no Brasil já convivem com o HIV, uma taxa altíssima para os padrões mundiais.


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O Projeto HPTN 083 deverá acompanhar o total de 4.500 voluntários ao longo de 4,5 anos, em mais de 40 centros de pesquisa em países como Estados Unidos, Peru, Argentina, África do Sul, Vietnã e Tailândia, além do Brasil, onde os testes são feitos em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, cidades de alta incidência de infecção por HIV nos grupos citados.

Além do HCFMUSP, os testes em São Paulo também são realizados no Centro de Referência e Treinamento DST/AIDS-SP. O Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (IPEC) da Fundação Oswaldo Cruz–FIOCRUZ do Rio de Janeiro, além do Hospital Nossa Senhora da Conceição de Porto Alegre, integram a rede no Brasil.

Os interessados em participar do estudo em São Paulo devem entrar em contato pelos telefones (11) 94996-6134 e (11) 2661-2275; pelo email [email protected] ou pelo Twitter @pec.hcfmusp

Fonte: Assessoria de Comunicação FMUSP