“Acho o sexo anal mais doloroso do que agradável”, diz Chris, 23 anos. “Eu sei que só deve doer um pouco, mas mesmo quando começo a me sentir bem, ainda não é satisfatório. Eu me pego pensando: ‘Ok, apresse-se e termine para que isso possa acabar’”.

Embora ele não goste de receber sexo anal, Chris ainda se identifica como gay passivo, porque se descreve como submisso, prefere dar sexo oral a receber, gosta de se sentir protegido e suas fantasias sexuais geralmente – se não sempre – o retratam como o parceiro que recebe. “É aquele cara corpulento e estereotipado assumindo o controle e fazendo o que quiser comigo”, explica.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

Chris culpa a indústria da pornografia, que, em sua opinião, romantiza a facilidade da relação anal. “Tudo se encaixa sem nenhum esforço. A fantasia me atrai mais do que a realidade”, afirma.

A médica Zhana Vrangalova, professora de sexualidade humana da Universidade de Nova York, entende homens como Chris e acredita que a realidade é bem mais complexa do que a dicotomia do sexo anal. “A identidade de um passivo pode certamente ser mais ligada ao estado mental – de receptividade e/ou submissão – do que um ato físico específico”, diz ela. Além da dor, a chuca é outra razão popular pela qual os passivos não gostam de relações sexuais anais. Além de inconveniente, a chuca pode roubar a espontaneidade sexual. “É irritante porque tenho que planejar o sexo e meu apetite sexual não funciona dessa maneira”, diz Gerry, 25 anos. “E se eu deixasse de fazer a chuca me sentiria inseguro durante o ato”, relata.

VEJA TAMBÉM:  Por que o Poppers se POPularizou entre os gays?

“Estou lidando com isso agora. Meu parceiro e eu, que somos versáteis, mas preferimos ser passivos, fazemos um sexo bom e não tenho nada negativo a dizer sobre o nosso relacionamento. Mas fico super frustrado porque minha mente quer, mas meu corpo não me permite” Gerry revela.

Chris ecoa essa frustração, compartilhando que essa mesma dor e desconforto foi um problema em seu relacionamento anterior ao longo prazo. Não importava o que tentassem no quarto – mais lubrificante, mais preliminares, menos força – a dor sempre prevalecia. “Na maioria das vezes, eu precisava dizer para ele parar quando estávamos fazendo sexo. Não é que ele fosse enorme ou não soubesse o que estava fazendo, apenas raramente era bom, e isso acabou causando tensão dentro e fora do quarto”, conta.

Segundo o terapeuta sexual e de relacionamento Joe Kort, que trabalha regularmente com homens gays, os problemas de Gerry e Chris não são incomuns. “Muitos se identificam como passivos porque gostam de ser mais submissos, por isso procuram um tipo de cara alfa-ativo. Não há vergonha em se identificar como um passivo que não se envolve nem gosta de sexo anal”, informa. Kort diz que os homens também se identificam como passivos porque gostam de se sentir protegidos e cuidados. ” Ser passivo, assim como ativo, não deve ser confundido com ser confundido com ser afeminado ou não. É apenas um relacionamento e estilo sexual da pessoa e não baseado em gênero”, ressalta.

Kort acrescenta que, em alguns casos, não gostar de anal nem sequer é físico e pode ser o resultado de homofobia internalizada ou até mesmo o medo do HIV (os passivos são mais suscetíveis ao vírus ao praticar sexo anal penetrante). Outros não fazem por razões religiosas, porque sentem que todos os outros atos sexuais são menos puníveis em sua religião do que o sexo anal.

VEJA TAMBÉM:  Rolês aleatórios: Em live, Kelly Key ensina Gracyanne Barbosa a fazer sexo anal

Ao falar com esses clientes, Kort os encoraja a serem abertos sobre sua resposta à relação anal, pois pode causar um problema muito válido em um relacionamento se uma parte ativa quiser fazer a penetração e o parceiro não se sentir bem.

Kort compartilha que muitos homens gostam de sexo anal no início do relacionamento, mas quando o período de lua de mel termina, o entusiasmo pela relação anal também. Segundo Kort, as pessoas estão mais dispostas a sair da zona de conforto para proporcionar prazer ao parceiro, como ocorre durante a fase inicial do relacionamento.

“Muitos clientes me disseram que eram mais versáteis e de mente aberta durante o período de lua de mel, nos seis primeiros meses”, conta Kort. “Mas depois que acaba, as pessoas retornam aos seus interesses regulares, o que, nesse caso, pode ser problemático em um relacionamento, porque a parte ativa pode se sentir enganada. Se isso acontecer, o casal geralmente decide se separar ou abrir a relação”.

Antes disso, Kort diz que muitos clientes praticam com brinquedos e tentam alargar seus orifícios na tentativa de desfrutar de sexo anal. Para alguns, esse prazer nunca vem.

Gerry tentou alargar seu ânus para acomodar o pênis grande de seu parceiro, mas diz que qualquer coisa maior que dois dedos dói demais, não importa quantas vezes ele tente. Ele diz que o prazer que experimenta com brinquedos menores é completamente diferente de quando ele está fazendo sexo com o parceiro.

VEJA TAMBÉM:  Ativos pagam meia: festa gay é criticada por cobrar entrada diferenciada

Alex, 25 anos, deduziu que ele nunca vai gostar de sexo anal, então usa o cremes para aliviar a dor. “Com meu desejo de agradar, aprendi a sacrificar o sentimento da dor para apaziguar meu parceiro”, diz ele. “Eu aprendi a viver com isso e aprendi a agradar meu rapaz, mesmo que eu odeie”.

Para alguns desses homens, a falta de gosto pelo ato vem de experiências sexuais traumáticas do passado. Gerry namorou um homem por um mês e meio antes de estarem prontos para ficar íntimos. Quando finalmente aconteceu, seu ex lhe deu um beijo grego por “uns 20 segundos patéticos”, relaxou, depois disse para ele sentar no pau.

Gerry, que ainda estava descobrindo sua sexualidade, sentiu uma dor intensa e perguntou se podia parar. Em vez de empatia, seu ex ficou bravo e ficou por cima. “Eu desliguei completamente”, disse ele.

“Acabei de falar com meu namorado e vamos tentar coisas diferentes”, Gerry enviou uma mensagem após a entrevista. “Estou longe de ser infeliz no meu relacionamento, mas eu tinha muitas perguntas e dúvidas sobre as quais queria conversar com ele. Suas perguntas me ajudaram a reconhecer que meus sentimentos e perceber que eles são válidos.”

Matéria traduzida do site NewNowNext.