O americano Jack, um estudante de apenas 21 anos, compartilhou com a revista gay americana Attitude, sua maneira pouco usual de sair do armário, que contou com a ajuda de ninguém menos que seu irmão. A história que ele contou agora à revista, aconteceu cerca de três anos atrás.

“A data era 27 de janeiro de 2015. Me lembro que estava viajando de Londres para Cambridge para um exame na Universidade de Westminster. Eu tinha 19 anos e tinha acabado de sair do armário para minha família e amigos.

Fui tão bem na prova que quis sair e comemorar. Foi quando Sean, meu irmão, me ligou dizendo que queria me encontrar no centro de Londres para me levar a minha primeira noite gay.

Sim, é estranho, acontece que eu sou gay e meu irmão também. Ele é 5 anos mais velho e já vivia uma vida gay secretamente muito antes sem que ninguém da família soubesse.

Jack e Sean, irmãos e gays.

Acontece que, quando eu saí do armário, ele me deu todo apoio e percebeu o quão deslocado eu me senti na família, como se fosse um estranho em meu processo de auto-aceitação. Ao acompanhar isso de perto, ele não resistiu, e em apoio a minha atitude, dois meses depois disso, pra minha surpresa, ele simplesmente saiu também para toda família. Depois eu entendi. O que ele queria me dizer era que não deixaria que eu passasse por aquilo sozinho. E isso o deu coragem. E me ajudou demais.

Então nos encontramos a noite e saímos pela primeira vez. Ele me apresentou seu namorado – que eu nem fazia ideia que existia – e fomos ao G.A.Y. no Soho. Parecia tudo diferente. Era o mesmo irmão, mas agora com seu namorado pela primeira vez ali na minha frente sem esconder nada. Era uma sensação estranha, mas boa.

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Chegamos a boate e enquanto eu era revistado pelo segurança tentava espiar dentro pra ver como era aquele lugar, minha primeira boate gay. Entramos e tocava Kesha. Meu irmão – mais do que acostumado com o lugar – virou pra mim e disse “Aqui eles tocam Britney toda noite!”. Sempre fomos obcecados por ela, então era incrível saber disso. Parece idiota, eu sei, mas é que em toda boate hétero que eu ia, nunca tocava!

Bebemos, nos divertimos e, sem achar um lugar pra sentar já que todos estavam ocupados, fomos para a pista de dança. Estava repletos de belos caras solteiros, casais gays e todo mundo se flertando. Pode parecer óbvio pra um gay esse cenário, mas essa era minha primeira vez e eu não estava acostumado com isso. Estava maravilhado, e o melhor de tudo, com o apoio de alguém da minha total confiança, meu irmão ali comigo.

Eu só sentia um pouco de vergonha porque meu ele imaginando caso alguém chegasse em mim, talvez eu ficasse sem graça.

Sim, parece clichê, as aquela noite foi o começo de finalmente viver sendo eu mesmo. E o apoio do meu irmão tornou tudo mais fácil.

Crescendo, San e eu estávamos sempre por perto um do outro, amávamos fazer os mesmos programas e ter conversas sobre cultura pop.

Eu não percebia que, desde que ele se entendeu gay pra si, se formou uma barreira entre nós que era justamente este assunto. Naquela noite se quebrou este gelo, e desde então nos tornamos melhores amigos e mais próximos do que nunca.”

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).