O Hall da Fama do Museu Nacional do Futebol deve imortalizar Justin Fashanu, a única estrela do futebol abertamente gay do Reino Unido, 22 anos após sua morte.

Fashanu revelou ser gay em 1990 e, trinta anos depois, ele continua sendo o único jogador profissional de futebol da Grã-Bretanha abertamente pertencente a comunidade LGBT+.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

O futebolista se suicidou em 1998. Atualmente, seu legado vive na Fundação Justin Fashanu, que luta para libertar o futebol da discriminação e melhorar a saúde mental dos jovens.

A sobrinha de Fashanu, Amal, que administra a fundação, receberá o prêmio. Fashanu estava no auge na década de 1980, quando jogou no Norwich City e no Nottingham Forest. Ele também se tornou o primeiro jogador negro a receber uma taxa de transferência de 1 milhão de libras esterlinas.

Seus primeiros clubes aparentemente sabiam que ele era gay, mas foi obrigado a ficar no armário até 1990. O tablóide The Sun foi quem o forçou a revelar a orientação sexual, ao alegar ter histórias de encontros sexuais do jogador com membros do Parlamento, outros jogadores de futebol e estrelas pop. Fashanu diria mais tarde que essas afirmações eram falsas.

VEJA TAMBÉM:  Atleta trans é impedida de jogar vôlei em torneio no Paraná

Mesmo negando as informações, ele concordou em se assumir exclusivamente ao The Sun, que apresentou a manchete ‘Estrela do futebol de 1 milhão: EU SOU GAY’ em 22 de outubro de 1990. A atitude, o atleta descreveu mais tarde “danificou intensamente” sua carreira.

Ele continuou jogando futebol, mas nenhum clube lhe assinou um contrato de tempo integral. Além dos fãs de futebol que gritavam atrocidades durante os jogos, inclusive seu irmão, John Fashanu, que o descreveu como um “pária” em público.

Em 1998, ele invadiu uma garagem deserta em Shoreditch, leste de Londres, e se enforcou.

Hoje, não existem jogadores de futebol profissionais abertamente gays no Reino Unido. No entanto, muitas jogadoras proeminentes são lésbicas ou bissexuais.

A sobrinha do jogador, Amal Fashanu, disse ao Sky Sports News que seu tio ficaria honrado em estar no Hall da Fama.

VEJA TAMBÉM:  Atleta olímpica, Martha Mccabe sai do armário como lésbica

“Acho que para Justin esse seria um ótimo momento e acho que é crucial quando finalmente reconhecemos quem Justin Fashanu era, não apenas como o jogador de futebol abertamente gay, mas também como um jogador de futebol muito talentoso e o primeiro milhão negro na Inglaterra”, afirmou.

“Eu tenho amigos gays que jogam e que são gays apenas para seus amigos e familiares, mas não para o resto do mundo. É a opção deles. Não os culpo porque sei a razão, mas é muito triste”, refletiu.

“Acho que hoje, se um jogador se assume, definitivamente não seria nem metade do que Justin passou, mas acho que ainda seria difícil, ainda seria um desafio. Mas o que é mais difícil, viver fingindo ser outra pessoa ou ser você mesmo?

Ela também disse que seu pai, John Fashanu, agora lamenta não ter apoiado o irmão. John é agora um administrador da fundação e trabalha para apoiar as mudanças no mundo do futebol.

VEJA TAMBÉM:  Pela 1ª vez, jogador poderá se declarar gay em um game de futebol