A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) aprovou um Projeto de Lei (PL) da vereadora conservadora Eliza Virgínia (PP), que proíbe atletas transexuais de participarem de partidas esportivas em equipes distintas do seu sexo biológico no município. 

Ou seja, de acordo com a proposta de lei da vereadora, mulheres trans seriam proibidas de competir em times femininos e homens trans em times masculinos nos esportes.

O projeto de lei ainda vai ser apreciado pelo plenário para ser efetivado ou não, sem data ainda para ser analisado. A vereadora justifica sua medida afirmando que “há diferenças biológicas que dão vantagem à atletas transexuais.

Entretanto, quem ENTENDE de esportes e tem equipes médicas que estudam o assunto realizando exames em pessoas trans e analisando cada caso, é o Comitê Olímpico Internacional e outras associações do esporte, como é o caso da Federação Brasileira de Vôlei com a atleta Tifanny, que é mulher trans e joga pela seleção feminina de vôlei.

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Completamente ignorante no assunto: vereadora Eliza Virgínia que proibir trans nos esportes.

O que a vereadora ignora – ou finge ignorar para expressar sua transfobia? – é que pessoas trans tem densidade óssea, musculatura e taxas de testosterona/estrogênio/força todas comparáveis à pessoas cisgênero quando se harmonizam.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

No caso de mulheres trans, com a aplicação do estrogênio no corpo, há perda de densiddade óssea, musculatura, força e rendimento no atleta, que fica com todos seus índices corporais dentro da média de atletas cisgêneros do mesmo gênero.e

Não é a toa que atletas trans tem sido liberados para jogar por comitês esportivos pelo mundo todo. 

Se a falácia ignorante da vereadora fosse verdade, homens trans não poderiam competir com homens cis, ou estariam em desvantagem.

Baseado nas avaliações que os órgãos esportivos já dispõem sobre o assunto, o vereador Tibério Limeira (PSB) se diz contra o projeto e acredita que são essas entidades que têm que regulamentar a participação de transgêneros no esporte. Ele ainda lembrou que projetos como esse estimulam o preconceito.

“Eu vou buscar entender em que a comissão se baseou para emitir um voto, tratando o projeto como constitucional. Desde que a Tifanny estreou na Superliga feminina, isso vem causando muito preconceito. A Câmara nem deveria se meter. As regras deveriam ser definidas pelas entidades que regulam as competições. A gente precisa evoluir enquanto civilização. Esse projeto está sendo apresentado num contexto obscurantista, onde cada vez mais os preconceitos e toda doença da humanidade estão sendo colocados para fora”, explicou.

O bizarro dessa história é ver POLÍTICOS COMPLETAMENTE IGNORANTES NO ASSUNTO, que não são médicos, que não são preparadores físicos, que não são técnicos, que não são atletas, que não são estudiosos da área, querendo disfarçar sua transfobia sob estas leis dizendo que estão defendendo atletas cisgêneros…

Enquanto isso, Comitê Olímpico Internacional, Federação Brasileira de Vôlei, dentre outros muitos ÓRGÃOS ESPORTIVOS COMPETENTES pelo mundo, que ESTUDAM o assunto e têm PROFISSIONAIS que estudam exatamente essas questões, TEM LIBERADO ATLETAS TRANS mediante EXAMES e COMPROVAÇÕES CIENTÍFICAS de que suas taxas corporais e desempenho mediante hormonização e exames, possibilitam que possam competir em pé de igualdade com atletas cisgênero. E não se trata de transfobia, de preconceito ou de inclusão, mas uma questão científica: Atletas trans podem competir com atletas cis.

Enquanto isso, políticos ficam usando seus poderes para expressarem seus preconceitos disfarçados sob outras desculpas, querendo meter o bedelho em uma área que não tem qualquer conhecimento.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).