Mais do que um evento desportivo, o Super Bowl é um espetáculo em larga escala que faz os Estados Unidos parar. A 53ª edição, que aconteceu no último domingo, teve a apresentação do Maroon 5, Julian Edelma,  os New England Patriots (time de Tom Brady marido da Gisele Bündchen) vencendo e pela primeira vez, os dois primeiros cheerleaders masculinos do futebol americano.

Quinton Peron e Napolean Jinnies fizeram história durante o Super Bowl, que aconteceu domingo (3).

Os rapazes antes de entrar em cena com as garotas.

Eles são bailarinos profissionais e aceitaram o desafio de imediato de quebrar a barreira do gênero no mundo dos ‘cheerleaders (assim mesmo, já que deixa de ter apenas mulheres e passa a ser um grupo misto) que se apresentaram num Super Bowl. São os primeiros da National Football League (NFL), a liga de futebol americano.

Em cena: homens e mulheres cheerleader pela primeira vez.

Foi em março passado que se juntaram ao grupo do Los Angeles Rams. Quando começaram a chamar a atenção nos treinos, Keely Fimbres, a treinadora, avisou a presidência do clube que o conjunto já não tinha só mulheres.

“Queria ter certeza de que todos estavam cientes de que temos dois homens extremamente talentosos que são dançarinos fenomenais, e senti que não havia motivo para hesitar”, disse Fimbres, ao LA Times.


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E essa não é a primeira vez que o Rams rompe barreiras. Em 1946, a equipe recrutou Kenny Washington, que se tornou o primeiro jogador negro a assinar contrato com a NFL depois da proibição ter sido suspensa após o fim da segunda guerra mundial. E foram também os Rams que contrataram o primeiro jogador de futebol abertamente gay, Michael Sam.

Mas desde então, e apesar de terem o apoio da equipe e da cidade que representam, tanto Peron como Jinnies assumem que se tornaram um alvo de insultos nos jogos e nas redes sociais. “Senti que este é o ano. Neste momento, parece-me que isto será mais aceito”, confessava Jinnies há um par de meses, à revista Fast Company. “Se temos talento e trabalhamos muito, porque não seria assim?”.

A decisão fez parte das polêmicas desse ano em relação ao Super Bowl, depois da controvérsia com Colin Kaepernick, jogador que se ajoelhou durante o hino nacional, em protesto contra a violência policial em relação aos negros e acabou despedido do time. As cantoras Rihanna e Cardi B também recusaram os convites para se apresentar no intervalo do espetaculo, em tempos uma oportunidade muito cobiçada pôr vários artistas. O show do intervalo foi feito pelo  Maroon 5.

Para Peron e para Jinnies, o Super Bowl revelou-se a melhor plataforma para inspirar futuros líderes de torcida (cheerleaders). “Fomos contatados por vários homens que estão interessados em experimentar e fazer parte do grupo”, disse Peron ao Good Morning America, assumindo: “É emocionante ver a maré mudar um pouco.”