“Nós damos um passo certo a frente e dois errados para trás se não continuarmos na luta”, foi o que a capitã do Wolfsburg e jogadora da Suécia Nilla Fischer disse em entrevista ao The Guardian.

Fischer disse que viu o futebol feminino mudar muito em seus 20 anos de carreira e está convencida de que o progresso só foi ganho lutando por ele. “Você nunca pode parar ou descansar. Para melhorar seu ambiente, dinheiro, tudo… É sempre uma luta”, disse a capitã, que também afirmou que ter a chance de ajudar a geração mais jovem é o que a move na luta.

Fischer é conhecida por ser sincera em defesa de mulheres jogando futebol, mas também, como uma mulher gay, em ser uma defensora dos direitos LGBT. Ela é uma das três principais jogadoras da Europa a liderar uma série de mini-documentários “Strong is…”  para a campanha #WePlayStrong da UEFA sobre suas vidas fora do campo, discutindo questões que vão desde saúde mental e autoconfiança até sexualidade e traumas.

O filme de Fischer teve mais de meio milhão de visualizações.

“Cada pessoa tem que decidir por si mesma, mas para mim é sobre ter a chance de ajudar os mais jovens”, disse a jogadora da Suécia sobre sua decisão de ser tão vocal em questões que são importantes para ela. “É importante ser franco para mostrar ao público que tudo está bem, é totalmente normal. Estou muito feliz com a minha vida e qualquer outra pessoa também pode ser”, disse ela.

Quando Fischer falou publicamente sobre sua sexualidade pela primeira vez, foi respondendo a uma simples pergunta em uma entrevista ao ser questionada se estava em um relacionamento. Ela disse que sim e que era com uma mulher. “A reação das pessoas da comunidade LGBT foi boa. Mas nas redes sociais, é claro, as pessoas aproveitaram a oportunidade de escrever opiniões e te enviar”, falou Fischer.

“Elas podem se esconder por trás de uma tela. Foi bom, mas ser uma mulher jogando futebol e ser uma mulher gay, provoca muito ódio”, completou.

As reações só mostraram a Nilla Fischer o quanto precisa ser feito mais para que ser uma mulher gay torne-se algo normal na sociedade. A zagueira é casada com Mariah-Michaela Fischer, que trabalha com mulheres vítimas de abuso doméstico.

A profissão da esposa ajudou diretamente na relação de Nilla com o futebol: “Eu ainda odeio perder. Para mim é muito importante ter um bom desempenho, mas não é quem eu sou como pessoa. Isso deveria ser óbvio, mas realmente me ajudou a ter uma perspectiva diferente de vida e me fez querer usar a minha voz de alguma forma para chamar a atenção para questões importantes para mim”, disse.

Aos 34 anos, Fischer chegou à final da UEFA Women’s Champions League nessa temporada com o Wolfsburg, que foi derrotado pelo Lyon por 4 a 1. Já na seleção da Suécia, ela se prepara para sua quarta Copa do Mundo, onde ela afirma que será a última, mas que caso se classifiquem para as Olimpíadas, as coisas podem mudar.

O melhor resultado do país em uma Copa do Mundo foi vice-campeonato nos EUA em 2003, antes do tempo de Fischer. Em 2015, tendo raspado o grupo com três empates, perdeu para a Alemanha nos últimos 16 anos. Mas a equipe está indo para a França no próximo verão em um lugar muito melhor. Eles chegaram às quartas-de-final da Euro 2017, perdendo para as eventuais campeãs, a Holanda, e se classificaram para a Copa do Mundo antes da finalista do Euro 2017, a Dinamarca, superando o grupo.

“Em um grande torneio, você realmente precisa daquele momento”, disse Fischer. “Isso pode virar para nós, pode ser que não estejamos lá no verão. Mas com o resultado contra a Dinamarca e a forma como jogamos, estamos muito felizes e parece muito bom para o futuro e para o próximo verão”, completou.

Assista também: