A CBF finalmente deixa a xenofobia, o sexismo, o apadrinhamento de lado e escolhe a primeira estrangeira para comandar a Seleção Brasileira Feminina de Futebol, a sueca Pia Sundhage.

Mulher, vencedora, bicampeã olímpica, 59 anos e lésbica: “Se as pessoas me perguntam sobre isso (ser gay), eu respondo que ‘Sim, sou gay’ e é assim que é” – “Nunca tive nenhum problema com isso sendo treinadora nos Estados Unidos ou em qualquer lugar” – “Era difícil quando eu tinha vinte e poucos anos na Suécia, mas mesmo naquela época eu não me importava” – “Essa sou eu.” – esse é o perfil da nova treinadora da Seleção Feminina de Futebol.

Pia Sundhage é nova treinadora da seleção brasileira

O primeiro anúncio, de Pia como técnica, contudo, não veio da CBF, mas sim da Fifa, que já tratou a contratação como oficial. Cerca de uma hora depois, a CBF emitiu um comunicado para a imprensa confirmado a chegada da treinadora.

“A escolha da Pia reflete a nova dimensão que vamos imprimir ao futebol feminino no Brasil. A partir da sua chegada, desenvolveremos um planejamento totalmente integrado entre a seleção principal e a base, equilibrando objetivos de curto prazo, como Tóquio 2020, com a renovação contínua dos nossos talentos”, diz o presidente da CBF, Rogério Caboclo, por meio do comunicado.

“Pia reúne a experiência e o talento perfeitos para isso. É uma enorme alegria termos essa lenda do futebol feminino no nosso time. Na busca permanente por inovação e excelência, teremos pela primeira vez, uma treinadora estrangeira comandando a seleção brasileira Feminina”, complementa Caboclo.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:
Pia, bicampeã com os Estados Unidos, trabalho reconhecido internacionalmente

Desde 1995, quando o selecionado de mulheres foi levado mais a sério, o Brasil teve nove treinadores. Oito homens: Zé Duarte, Renê Simões, Luiz Antônio, Jorge Barcellos, Kleiton Lima, Márcio Oliveira, Vadão. E a passagem relâmpago de Emily.

Bicampeã olímpica com os Estados Unidos, Pia assumirá o projeto de renovação da seleção pós Copa do Mundo e, principalmente, de estruturação e consolidação do esporte no país. A sueca comandava a seleção sub-17 de seu país quando recebeu o convite da CBF e aceitou ser a cara do projeto do futebol feminino no Brasil. Pia também treinou equipes no futebol sueco e nos Estados Unidos.

Em seu comunicado, a CBF afirma que “pouca gente conhece tanto o futebol feminino como Pia Sundhage”, e lista os maiores momentos dela na modalidade, como o bicampeonato olímpico (2008-2012) e o vice-campeonato da Copa do Mundo de 2011. Acrescenta ainda que, no ano em que conquistou os Jogos Olímpicos de Londres 2012, Pia foi eleita como a melhor treinadora de futebol feminino pela FIFA.