A equipe dos Estados Unidos conquistaram a Copa do Mundo de Futebol Feminino pela quarta vez neste domingo, 7 de julho. 

O time não deu chance para surpresas e venceram a Holanda por 2 a 0, no Parc Olympique Lyonnais, em Lyon, França, diante de espectadores como o presidente da França, Emmanuel Macron; o rei Guilherme, da Holanda, o craque francês Kylian Mbappé, campeão mundial pela França em 2018.

Os gols foram marcados por Megan Rapinoe, de pênalti, aos 12 minutos do segundo tempo, e Lavelle, destaque do jogo, chutando de fora da área aos 23 da etapa final. Rapinoe foi a artilheira da competição, com seis gols, ao lado da americana Alex Morgan e de Ellen White, da Inglaterra.

E essa vitória consagrou a jogadora americana Megan Rapinoe, um símbolo que vai além do esporte.  Em 2016, a jogadora do Seattle Reign se solidarizou com Colin Kaepernick, o jogador de futebol americano que punha um joelho no chão sempre que o hino tocava, em protesto pela brutalidade policial contra os negros. Rapinoe imitou o gesto, levando a federação a criar uma norma que exigia “respeitar” o símbolo nacional, permanecendo em pé. “Suponho que, pelo fato de ser mulher e homossexual, sinto uma maior empatia em relação às pessoas que não se encontram em uma posição dominante. Achei uma obviedade. Quando alguém se afoga, você vai ajudar fica na beirada?”, disse a jogadora ao EL PAÍS.

Em 2012, Rapinoe tornou pública sua homossexualidade e desde então é uma das bandeiras LGTB nos Estados Unidos. Sua namorada é estrela do esporte, a jogadora de basquete Sue Bird, que joga no Seattle Storm, da WNBA. Ambas aparecem juntas com assiduidade em reportagens fotográficas e televisivas. “Sou um protesto ambulante”, descreveu-se em uma entrevista ao Yahoo antes da Copa, pois utiliza a sua condição de estrela do esporte para reivindicar causas sociais e lutar contra a discriminação. Além de ser um desafeto declarado do presidente Donald Trump.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

A atacante Megan Rapinoe foi eleita a melhor jogadora da Copa do Mundo de Futebol Feminino 2019. Além da Bola de Ouro, a norte-americana também faturou a Chuteira de Ouro, por ter sido a artilheira da competição com seis gols, um deles marcado na final contra a Holanda.

Além de se destacar dentro de campo, Rapinoe é uma voz importante na luta contra o preconceito e chegou a reclamar do fato de a final da competição ser disputada no mesmo dia de outras duas decisões, da Copa América no Brasil e da Copa Ouro da CONCACAF no México, e trocou farpas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Rapinoe desdenhou de um eventual convite para visitar a Casa Branca após a Copa e não cantou o hino norte-americano em nenhum dos jogos do torneio como forma de protesto contra Donald Trump, a federação de futebol de seu país, a desigualdade entre homens e mulheres e em defesa da comunidade LGBT.

Insatisfeito com a atitude da jogadora, que é a capitã da seleção norte-americana, Trump a criticou com contundência em entrevista ao jornal The Hill, no último dia 26. “Ela tem de vencer antes de falar”, disse, na ocasião. “Megan não deveria nunca desrespeitar nosso país, a Casa Branca ou nossa bandeira, especialmente depois de tudo que foi feito por ela e pelo time. Seja orgulhosa da bandeira que defende. Os Estados Unidos estão indo muito bem”, acrescentou.

Rapinoe é uma dor de cabeça para Donald Trump: “Sexista”, “misógino”, “mesquinho”, “curto de ideias”, “racista” e “má pessoa” são apenas alguns dos adjetivos que a capitã dedicou ao presidente de seu país.

“Seria uma egoísta se me calasse”, repete Rapinoe em mais de uma entrevista. A atleta assume que está no centro de uma grande plataforma, o futebol, e se empenha em utilizar seu alto-falante. Como capitã, há anos encabeça uma guerra contra sua própria federação. Ela moveu uma ação judicial junto a outros ícones da equipe, como Hope Solo, Carly Lloyd, Alex Morgan e Becky Sauerbrunn, em que acusava o organismo responsável pelo futebol norte-americano de discriminação salarial.

No último 8 de março desse ano, Dia da Mulher, voltou a liderar uma denúncia pela mesma razão e por ter piores condições de treinamento e de viagens que a equipe masculina. Segundo argumentam, elas ganham mais partidas, geram mais faturamento à federação e somam mais audiência televisiva. Mesmo assim, as diferenças são eloquentes: os homens podem chegar a ganhar até 70.000 reais por uma vitória, ao passo que para elas o valor não chega a 15.000. As partes envolvidas concordaram em se submeter a uma mediação após a Copa.

Ouviu de Trump que deveria vencer antes de falar, além de terminar seu trabalho e ela terminou o serviço, com troféus individuais, o título e um gol na decisão.

Recebeu os troféus da mão do presidente da Fifa, Gianni Infantino, que havia ouvido vaias e gritos por ”pagamentos iguais” minutos antes. Questionada sobre isso, se despediu da Copa com sua marca registrada.

O presidente da Fifa, Gianni nfantino, entregando o troféu de campeã pra Megan

“Um pouco de vergonha pública nunca machucou ninguém” disse, deixando o palco onde foi protagonista.