Um levantamento mostrou que, entre a população de São Paulo, 25% dos homens que fazem sexo com homens, vivem com HIV, ou seja, 1 em cada 4. No Brasil, o número chega a 18% desta população que contabiliza gays, bissexuais e homens que fazem sexo com homens (mas não se dizem gays ou bissexuais).

O dado foi comentado no blog do infectologista Rico Vasconcelos no UOL, e no jornal Folha de São Paulo, e tem circulado pelas redes sociais.

Não é novidade que nos grandes centros urbanos de todo o mundo, a taxa de infecção por HIV costuma ser alta, muito mais do que em regiões mais afastadas, até pela variedade e possibilidades de encontros sexuais. Em Londres, por exemplo, o número fica próximo a 15% da população jovem de homens que fazem sexo com homens.

Em um texto, bastante elucidativo (leia aqui na íntegra), o doutor convida o leitor a refletir sobre o que leva a este aumento de casos principalmente entre uma parcela bastante específica da população.

E antes que você pense em alguma resposta preconceituosa, vale lembrar que promiscuidade não é uma resposta (moralista e ignorante, diga-se de passagem), uma vez que a mesma não é exclusividade de qualquer grupo da sociedade. Modalidades sexuais então? Talvez, uma vez que o sexo anal passivo é de longe a maneira mais fácil de se infectar pelo vírus por este tipo de relação propiciar mais facilmente o contato direto com a corrente sanguínea.

Mas muito além disso, como lembram muito bem as observações de Rico Vasconcelos, é importante considerar outros fatores que colaboram – e muito – para isso. Pensa só:

O adolescente hétero por toda a sua vida terá sua sexualidade considerada como um fato natural e aceitável. Ele terá suporte familiar, referências na escola, na mídia, pais e um médico que o compreenda.

Já quase todo adolescente gay terá chances bem maiores de enfrentar rejeição familiar, bullying e até violência. Jamais discutirá sua sexualidade ou qualquer dúvida durante o seu crescimento, tendo que aprender muito na prática e sem qualquer suporte profissional ou familiar.

Nestas condições, quem tem mais chances de ter informação e viver sua sexualidade em paz plenamente? Fácil de responder, né?

Já sobre meninas trans e travestis, a questão é mais delicada ainda devido a fatores infelizmente comuns, como expulsão de casa, prostituição quase obrigatória e relações abusivas com homens que as propõe o sexo sem camisinha.

(continua abaixo)


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São décadas de preconceito, machismo, homofobia, transfobia, que somados e condicionados a esta população, geram este resultado, com o vírus circulando principalmente entre os excluídos da sociedade.

Prova disso é que em um recorte racial, pessoas negras por exemplo – e consequentemente menos privilegiadas socialmente no Brasil – tem índice maior de infecção por HIV do que pessoas brancas.

Aliado a isso, ainda há o preconceito de se discutir sexualidade e diversidade nas escolas do país devido ao conservadorismo religioso presente principalmente na política brasileira, que impede qualquer avanço neste sentido.

Nas palavras do doutor: “Cada vez que alguém retira gênero do currículo de uma escola, proíbe uma campanha de prevenção para adolescentes gays, ou desrespeita o nome social de uma travesti em um posto de saúde, está sendo também responsável pelo pelo crescimento do HIV/aids. E cada vez que a mídia culpa os gays ou outra população vulnerável, também está sendo responsável por disseminar o HIV nesse grupo.”

Vale a leitura e reflexão de seu texto na íntegra em seu blog.

 

Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).