Se tem uma coisa que já virou padrão no governo Bolsonaro é “voltar atrás” quando uma medida é anunciada, gera polêmica por ser considerada precipitada ou até absurda, e o governo então diz que não será bem assim e logo muda de ideia.

A atitude repetidas vezes mostra todo despreparo político do grupo que comanda o Brasil atualmente. E não foi só uma, duas ou três vezes em que isso aconteceu.

Enquanto apoiadores do governo dizem que isso demonstra que o governo ouve a população, a oposição se pergunta “E se não reclamássemos?”. Será que aí, todos absurdos que chegaram a ser propostos, teriam acontecido?

  • O caso mais recente foi o do Ministro da Educação, Ricardo Velez Rodrigues, que em um e-mail às escolas brasileiras sugeriu que as crianças cantassem o hino nacional. Até aí não seria problema, até louvável. A questão é que ele também pediu para que estas crianças fossem filmadas (o que é contra a lei!) e repetissem o slogan do governo Bolsonaro antes do hino: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, um verdadeiro uso das crianças como propaganda eleitoral. Isso que este era o governo que se dizia “contra ideologias” e queria “escola sem partido”, lembram?

Pois bem, após a previsível péssima repercussão, o ministro voltou atrás pedindo desculpas e suspendeu a medida.

Percebe-se que neste governo falta um departamento de VDM: “Vai dar merda”, equipes de pessoas competentes em acharem erros e que poderiam avisar com antecedência antes de algum absurdo ser anunciado. 

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

E esta infelizmente está longe de ter sido a primeira vez onde isso acontece no governo Bolsonaro, e pelo visto não será a última, seja através do próprio presidente, seus filhos ou ministros, quando dizem que farão uma coisa e depois voltam atrás.

Segue abaixo uma relação de outras vezes em que isso aconteceu:

  • Na campanha, Bolsonaro disse que reduziria os ministérios brasileiros de 29 para 15. Após ser eleito, fechou em 22 criando um novo e inútil (Mulher, Família e Direitos Humanos, chefiado pela pastora Damares Alves que nada entende de Direitos Humanos) e fechando ministérios fundamentais como o da Cultura e do Esporte.
  • Outra voltada atrás de Bolsonaro foi ao anunciar a fusão dos ministérios do Meio Ambiente e Agricultura, literalmente colocando a raposa (agricultura) para cuidar do galinheiro (meio ambiente). Após a péssima repercussão mesmo entre muitos bolsominions, o governo voltou atrás e manteve as duas pastas com status de ministério.
  • A CGU (Controladoria-Geral da União) seria incorporada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Depois de muito chiarem mostrando o desastre iminente a um órgão tão específico e necessário (a controladoria Geral da União), Bolsonaro voltou atrás, mantendo a independência do CGU, órgão que fiscaliza ações do governo.
  • Já em relação a uma nova CPMF. Bolsonaro teve que desautorizar sua própria equipe, que citou o assunto, duas vezes.
  • O Ministério da Educação também lançou um edital onde passava a permitir erros em livros didáticos e ausência de bibliografias nos materiais. Claro que a medida foi mal recebida pelo ministério da eduação e população brasileira, e Bolsonaro desistiu.
  • Uma das promessas de campanha de Bolsonaro foi a reforma agrária, tema sobre o qual ele já voltou atrás e suspendeu.
  • A transferência da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, em Israel, também prejudicou a imagem do Brasil internacionalmente e garantiu outra “passada de  pano voltando atás.”
  • Assim que anunciou que abandonaria Tel Aviv em detrimento de Jerusalem, Bolsonaro comprou briga com os países árabes, donos de muitas terras e inimigos da região. Acabou sobrando para a exportação de carne para países árabes que agora pode ser bicotada inclusive.
  • Outra mudança total e repentina de opinião foi do ministro da justiça e Sergio Moro. Até antes da campanha eleitoral de Bolsonaro, ele jurava com todos os pés que Caixa 2 era um crime horrível e que deveria ser punido. Após a eleição, trabalhando ao lado de pessoas como Onyx, Queiroz e e tantos outros laranjas do PSL, Moro mudou subitamente de opinião. Agora, para o ministro, Caixa 2 é uma coisa e crime de corrupção é outra. Vai entender…

Mais que um problema de comunicação ou ouvido aberto à população como dizem seus defensores, essas tentativas, senão caracterizam despreparo, caracterizam a má fé do governo em empurrar questões polêmicas na tentativa de aprová-las, e ao ver a rejeição da população mais ligada do que nunca no tema político, voltar atrás.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).