O Ramadã é o nono mês do calendário islâmico, período no qual a maioria dos muçulmanos prática o ritual de jejum, em busca da renovação de sua fé, e a aproximação com a caridade e fraternidade.

Este ano, devido a pandemia do COVID-19, LGBTs muçulmanos buscaram formas de se reinventar para permanecer conectados e em sintonia com o período mesmo com as medidas de isolamento social.

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No meio do período do Ramadã, Sabah Choudrey, ativista e o co-fundador da Trans Pride Brighton, diz que ainda estão descobrindo como fazer as coisas funcionarem. “Estou pensando em uma nova rotina a cada três dias, e às vezes ela permanece a mesma e às vezes muda, mas tudo bem”, contou Sabah ao PinkNews.

“Especialmente com a pandemia, estou aprendendo a ser mais flexível e paciente em descobrir isso. Eu acho que estou sendo legal comigo mesmo, sempre digo, apenas seja gentil consigo mesmo” acrescenta Sabah.

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As medidas de isolamento têm deixado muitos muçulmanos LGBT+ distantes de suas comunidades durante esse período importante, Sabah observa que é fácil ser duro consigo mesmo.

Como quase todo mundo, Sabah usa muito o WhatsApp e as conversas em grupo para se manter conectado com sua comunidade. Para ele, mandar um simples emoticon e ter um espaço para conversar sobre como se sente e o que está acontecendo já ajuda.

Asifa Lahore, mulher trans e drag queen, concorda com Sabah. “Como a maioria do mundo, os muçulmanos passaram a usar a tecnologia e os meios digitais para orar e sentir uma conexão, seja para se conectar com seus entes queridos espalhados pelo mundo ou para experimentar um senso de ritual e rotina, seguindo as orações que agora estão sendo veiculadas online”, conta.

Asifa Lahore

“Encontrei grande conforto em poder falar com parentes no Reino Unido e no meu país de origem, o Paquistão, e compartilhar esse momento com eles. Nestes momentos sombrios, isso tem sido de grande ajuda”, afirma Asifa.

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Asifa teme que muitos muçulmanos LGBT+ tenham sido afetados pelo fato de os Iftars, o momento da quebra do jejum comunitário do Ramadão, terem sido reduzidos a eventos unicamente familiares: “Muitos de nossos irmãos e irmãs, que não gostam de seus entes familiares ou foram banidos de sua comunidade, precisam experimentar esse momento de reflexão sozinhos. Estar em isolamento já é bastante duro, mas com a camada adicional de jejum pode ser ainda mais difícil.”

Mas apesar dos desafios durante o isolamento, ela continua positiva. Para Asifa, o momento possibilitou vivenciar uma espiritualidade mais profunda.

A ativista muçulmana e homossexual da Stonewall UK, Hafsa Qureshi, sugere que muçulmanos LGBT+ participem de um espaço virtual Iftar como os organizados pela instituição Imaan LGBTQI.

Hafsa Qureshi

“Muitas mesquitas tradicionais ou espaços religiosos impõem um sentimento de que não somos ‘muçulmanos o suficiente’ e isso pode nos desencorajar de praticar. Precisamos de espaços seguros como esse e é uma ótima maneira de construir nossa comunidade e mostrar um ao outro que não estamos sozinhos”, afirma Hafsa.

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Sabah ainda reforça que “para as pessoas que têm fé ou que são muçulmanas e estão lutando para serem respeitadas ou reconhecidas como a pessoa que elas realmente são, lembre-se de que Alá conhece você, Alá sabe quem você é e isso que importa”.

Matéria traduzida do site PinkNews.