Um dos setores mais afetados pela crise do coronavírus, sem dúvidas, foi o de bares, boates e casas de shows e eventos. São milhares de empregos gerados direta e indiretamente, além de muito dinheiro que gira neste setor tão importante para a economia.

Entretanto, é claro que uma crise de saúde pública e que põe em risco a vida da população não é menos importante do que isso. Afinal, sem CPF (pessoas) não existe CNPJ (empresas).

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Ainda assim, a crise que impôs o fechamento de locais públicos já dura mais de 6 meses e, embora parte de atividades econômicas – como comércio – já tenha sido liberada para uma retomada gradual por maior parte dos governos estaduais e municipais, os cinemas, teatros, casas de shows, bares, boates e casas de eventos continuam todos fechados.

Curiosamente, a sauna gay Chilli Pepper – que se anuncia como hotel – já está funcionando com capacidade reduzida e medidas de segurança para minimizar riscos. Mas isso porque oficialmente se diz ser um hotel, categoria já permitida para reabertura. Mas será que é possível fazer essa liberação de grandes eventos de aglomeração popular sem aumentar a curva do covid-19 no Brasil? A vida e meios de sobrevivência de quem trabalha na área também é um drama. Certamente não maior do que as vidas perdidas, mas não deixa de ser.

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Refletindo sobre isso, em um desabafo pessoal em seu Facebook, sócio da The Week e um dos maiores empresários da cena de entretenimento LGBT do Brasil, André Almada, falou sobre o assunto de maneira direta e alertando que, com ou sem vacina, sem a reabertura das casas de eventos, todo setor irá a falência.

“Seja com ou sem vacina, caso contrário, sucumbiremos”, disse ele. “Será a vacina a única solução para o setor de eventos? O contra-senso das medidas de flexibilização em relação ao distanciamento social é fato e praticamente impossível quando estamos falando de aglomerações”, escreveu.

E continuou logo em seguida: “Como controlar esse distanciamento quando estamos falando de uma balada? É praticamente impossível manter o distanciamento entre as pessoas nesse caso e o julgamento público é implacável”.

Em seu longo desabafo, o empresário ainda lembrou que eventos clandestinos tem acontecido recentemente, enquanto os negócios legais continuam proibidos pelo governo: “Devemos pagar o preço por ser quem somos? Por ter sido sempre corretos, pagando todos os impostos, trabalhando dentro da legalidade e respeitando tudo o que nos foi exigido? Enquanto isso, festas clandestinas pipocam por todos os lados, em detrimento da saúde alheia, sem nenhum impedimento ou punição, enquanto amargamos uma sobrevida que não sabemos até quando resistiremos”.

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Leia abaixo seu post na íntegra:

Lendo sobre os impactos sofridos pela Coca-Cola nesta publicação da Veja, levanto uma questão para a reflexão de…

Posted by André Almada on Sunday, August 30, 2020

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).