Os empresários Luciano Hang – mais conhecido na Internet como ‘Véio da Havan’ – e Edgar Gomes, que é um dos donos da rede de academias SmartFit, estão entre os alvos da Polícia Federal que tiveram seus sigilos bancários e fiscais quebrados na última quarta-feira (27).

O motivo? Ambos podem ser a fonte por trás da indústria de fake news bolsonaristas que fazem a sua tia acreditar em nota de R$ 50 reais com a cara da Pabllo Vittar, kit gay ou mamadeira de piroca, dentre muitas outras invenções mais graves (e o pior, muitas vezes verossímeis ao contrário destas!).

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

Já não é novidade que existe um esquema montado por trás das milhares de mentiras que circulam em WhatsApp e redes sociais, sempre distorcendo narrativas para favorecer o presidente Jair Bolsonaro e prejudicar opositores com mentiras e invenções muitas vezes criminosas.

A própria CPI das Fake News, atualmente em andamento no Congresso, investiga o caso e já fecha o cerco contra o apelidado “Gabinete do Ódio”, que segundo apontam as investigações, seria comandado pelo filho do presidente, Carlos Bolsonaro.

Como funciona em uma ditadura, qualquer um que questione, interfira ou critique Bolsonaro se torna um novo alvo da máquina. O mais recente foi o ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, que de herói, virou vilão. Uma das primeiras cobaias deste esquema foi o ex-deputado Jean Wyllys, que teve sua reputação na lama envolvido até em mentiras de que seria pedófilo, que pretendia como deputado trocar o sexo de crianças, ou ainda, mudar a bíblia ou ensinar islamismo nas escolas. Tudo absurdo? Sim! Mas que sua tia acredita e faz com que ela crie ódio a opositores do presidente, além do descrédito à mídia tradicional que já se transformaram nos recentes ataques agressivos à jornalistas no Palácio do Planalto.

VEJA TAMBÉM:  Em sala de aula, professor dá pisão em aluno bolsominion; assista

Além do ‘Veio da Havan’ e do dono da Smartfit, também estão entre os envolvidos entre os acusados de financiar o esquema, os empresários Reinaldo Bianchi Júnior e Winston Rodrigues, do Bloco Movimento Brasil. Ainda conforme publicou o site O Antagonista , a Polícia Federal também fecha o cerco contra 8 deputados bolsonaristas que terão que depor nas próximas semanas por seus apoios a atos antidemocráticos.

A lista inclui Bia Kicis (PSL-DF), Carla Zambelli (PSL-SP), Daniel Lúcio da Silveira (PSL-RJ), Filipe Barros (PSL-PR), Junio do Amaral (PSL-MG), Luiz Phillipe Orleans e Bragança (PSL-SP), e os deputados estaduais Douglas Garcia e Gil Diniz, ambos representantes do PSL em São Paulo.

A busca e apreensão por notebooks e aparelhos de uso profissional e pessoal desta turma foi determinada e justificada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, que  afirmou sobre a decisão: “Toda essa estrutura [do esquema de fake news], aparentemente, estaria sendo financiada por empresários que, conforme os indícios constantes dos autos, inclusive nos depoimentos dos parlamentares federais Nereu Crispim, Alexandre Frota e Joice Hasselmann, atuariam de maneira velada fornecendo recursos – das mais variadas formas –, para os integrantes dessa organização”.

VEJA TAMBÉM:  Bolsonaro cancela Conselhos "Contra Discriminação LGBT" e de "Direitos da Pessoa com Deficiência"

O curioso nisso tudo é que o presidente Jair Bolsonaro teve sua candidatura à presidência incentivada e defendida pelo dono da Smartfit, Edgar Gomes. Se provado que o dono da Smartfit financiou fake news para favorecer Bolsonaro com seu dinheiro, isso significa que boa parte deste montante, pode ter vindo justamente do público gay, boa parte dos clientes de sua rede de academia. Sim, o público gay: justamente as pessoas contra quem o assumidamente homofóbico Jair Bolsonaro sempre falou em seus 27 anos como deputado federal irrelevante e convidado assíduo do Superpop de Luciana Gimenez.

Fica a pergunta: Será que o dono da Smartfit financiou fake news bolsonaristas com dinheiro do público gay? Seria uma infeliz ironia!

Realmente a rede de academias Smartfit tem pouca concorrência à altura pelo seu custo benefício e utilidade. Mas cada vez mais existem outras opções… O quanto vale a pena malhar na Smartfit se ficar provado que você está ajudando a financiar, no final das contas, um governo que, se pudesse, te confiscaria todos os direitos LGBTs arduamente conquistados? Um governo que acaba com fomento público a produção audiovisual cultural que tenha temática LGBT (somente esta temática, caracterizando censura!)? Um governo que acaba com páginas sobre HIV do Ministério da Saúde? Um presidente que desde a época em que era deputado, sempre defendeu que “você deveria levar porrada na infância pra deixar de ser viado”?

VEJA TAMBÉM:  Presidente do Banco do Brasil diz que LGBT ou negro não é "cidadão normal" pra estar na publicidade

Na Internet já existem comentários pelas redes sociais sugerindo que gays cancelem suas inscrições na SmartFit. E aí, o que você acha?

Veja alguns abaixo:

Avatar
Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).