Em um meio profissional que já foi, e em grande parte ainda é, formado majoritariamente por homens, é inevitável que diversos preconceitos e estereótipos sejam reproduzidos nas histórias em quadrinhos, como foram por anos.

Entretanto, com o passar do tempo diversas, questões socialmente marginalizadas foram ganhando mais espaço, seja através da mídia ou das lutas desses movimentos sociais, e, consequentemente, começaram a ser retratadas nos quadrinhos, projetando a visibilidade dessas causas também nas HQs.

E o melhor disso, agora podemos começar de fato a ver mais além do que histórias que inspirem e retratem vivências antes invisibilidades, mas vemos diversos artistas e roteiristas negros, LGBTs, mulheres e de diferentes etnias escrevendo essas narrativas.

Um desses exemplo é Vita Ayala, roteirista negra e não-binária. Ayala já trabalhou em várias editoras como a DC Comics, Image Comics e atualmente na Marvel Comics, escrevendo títulos como Mulher-Maravilha, Supergirl, Morbius e a “Era do X-Man”. Mais recentemente fez parte do compilado especial “Marvel Voices” que foi publicado na última quarta-feira, além de futuramente escrever uma das novas HQs dos X-Men, sob o título “Children of the atom”.

Atualmente o maior destaque de Ayala é a HQ solo da Nebulosa, a anti-heroína (às vezes vilã) dos Guardiões da Galáxia. A minissérie que iniciou este mês terá 5 edições e narra uma grande aventura “badass” da neta do titã louco, Thanos. (Sim, nas HQs a personagem é a neta do vilão, um pouco diferente dos filmes do MCU). A história é escrita por Vita Ayala e desenhada por Claire Roe.

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Em entrevista ao Refinery29, Ayala disse que vê a revista como uma oportunidade para que as pessoas se sintam representadas. “Eu quero que todas as meninas ou pessoas femininas em geral que gostam de se fantasiar de Nebulosa possam ter esse ângulo de ‘olha como eu sou forte e legal e faço coisas espaciais que nem todos os outros caras‘, contou a autora.

Além da importância de se ter no mercado mais uma HQ protagonizada por uma personagem feminina, é muito representativo a entrada e o destaque que artistas LGBT+ podem conseguir em um mercado de trabalho ainda cercado de machismo e outros preconceito.

Apesar dessa inserção ainda ser gradual no mercado de quadrinhos, muitas vezes a receptividade de alguns fãs é extremamente agressiva com artistas e roteiristas que fazem parte de alguma minoria social. O ódio e críticas (nada construtivas) que se espalha nas comunidades geeks tende a ser grande, contudo, todos esses profissionais, como a própria Ayala, continuam mostrando seu talento e presenteando diversos leitores com ótimas histórias e o mais importante, continuam representando e dando visibilidade para quem precisa.