A resposta sobre a maneira de proceder ao acabar com as quarentenas impostas pelo coronavírus ao redor do mundo pode estar nas mãos da indústria pornográfica. Ao menos é o que disse um cientista.

Grande parte do mundo passou por algum tipo de bloqueio imposto pelo Estado em um esforço para conter a disseminação do COVID-19. E os esforços parecem estar funcionando em muitos países.

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Mas agora, governos de todo o mundo estão enfrentando uma pergunta difícil: como podemos reabrir a sociedade e a economia sem uma vacina que acabe de vez com o vírus? E o medo dele voltar a circular e se espalhar rapidamente?

Pois bem. Isso é algo com o qual a indústria pornô luta, e lutou com muita dificuldade há 20 anos atrás. E esta cientista acha que a medida também poderia funcionar para o coronavírus.

“De certa forma, estão tentando fazer com o COVID-19 o programa PASS, que já fazemos, que pode ser efetivo no combate também ao coronavírus“, disse à Stat News, Ashish Jha, diretora do Instituto Global de Saúde da Universidade de Harvard.

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O modelo a que Jha se refere é o programa PASS, que foi introduzido na indústria pornô no final dos anos 90 em resposta ao surto do HIV em uma época em que a epidemia que resultava na AIDS ainda não tinha controle e conhecimento como hoje.

Sob o programa PASS, profissionais de filmes adultos eram testados para o HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis obrigatoriamente a cada 14 dias.

Os resultados eram então inseridos em um banco de dados que permitia que os estúdios pornográficos descobrissem se um contratado foi testado positivo para ISTs.

Se um artista fosse testado positivo, todos estúdios de filmes pornográficos nos EUA seriam imediatamente avisados e um sistema de rastreamento de contatos seria implementado contando com todos os outros com quem aquela pessoa se relacionou nos filmes em um esforço para conter a propagação do vírus entre os profissionais da área.

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Jha acredita que um sistema semelhante poderia funcionar com o coronavírus. Testes regulares em toda a população para rastrear a epidemia ao menor sinal de presença, evitando um alastramento ou ação tardia quando o vírus já se espalhou.

“Nossa história nos ensina que isso pode funcionar. Apenas temos que aumentar isso da escala da indústria de filmes adultos à escala da sociedade”, disse ele.

Segundo a proposta de Jha, todas as pessoas se testariam regularmente para o COVID-19 e seus resultados seriam armazenados em um banco de dados seguro e acessível por organizações que precisam dos dados para evitarem a propagação.

Ministério da saúde, escolas, hotéis, centros de conveniência e grandes aglomerações, companhias aéreas e outras organizações poderiam acessar dados sigilosos apenas para a possibilidade de avisar e isolar quem tiver detectado resultado positivo.

“Os testes são particularmente importantes para áreas de alto risco, como aviões ou fábricas de carne por exemplo”, disse ele.

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“O que a indústria cinematográfica adulta produziu funcionou e pode realmente ser o tipo de ferramenta que precisamos até que exista uma vacina ao vírus”, acrescentou. “As pessoas não podem ignorar esta tática só porque é de uma indústria que muitos moralistas rejeitam”.

Atualmente, existem mais de 3,8 milhões de casos confirmados de COVID-19 em todo o mundo. Estados Unidos, Reino Unido, Espanha, Brasil e Itália estão entre os países mais afetados do mundo. Por outro lado, a Nova Zelândia começou a levantar restrições e acredita-se que tenha eliminado a transmissão da doença por lá.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).